E não é que é uma Brastemp

Em 2011, a direção mundial da Whirlpool, controladora da Brastemp, da Consul e da KitchenAid, determinou que todas as fábricas da empresa, no mundo, se tornassem Aterro Zero, até 2022. Na quarta-feira (7/6), a unidade brasileira reuniu a imprensa para anunciar que estava antecipando o cumprimento da ousada meta, em cinco anos. Um feito e tanto se levarmos em conta que a empresa conta com unidades fabris em diversas cidades, que foram construídas em épocas distintas e tendo por base níveis de exigência ambiental bastante diferentes. Para atingir este patamar, a Whirlpool tem investido pesado em ações de sustentabilidade socioambiental. Apenas no biênio 2015/2016 foram R$ 18,1 milhões.

O resultado aparece também no menor consumo de recursos hídricos. “A linha de produção de lava-louças, situada em Manaus e a única do gênero, no Brasil, reutiliza toda água usada nos testes de lavagem”, diz Vanderlei Niehues, diretor de sustentabilidade da Whirlpool Latin America.

Se conseguiu encaminhar com tranquilidade diversas questões “da porta para dentro”, ainda não se pode dizer o mesmo em relação ao que acontece depois que os produtos são vendidos. O principal entrave continua sendo a logística reversa. Ou seja, o retorno de fogões, micro-ondas, fornos a gás, secadoras de roupas e geladeiras, após seu ciclo de vida.

De acordo com Armando Ennes do Vale Jr., vice-presidente de relações institucionais da Whirlpool Latin America, dois fatores influenciam nesta equação. O primeiro deles é o custo. A retirada do produto na casa dos consumidores representa um desembolso elevado, estimado entre R$ 80 e 100, por aparelho. Para reduzir o valor à metade, a Eletros, entidade que representa as indústrias do setor, está coordenando a criação de pontos de coleta. “No caso do fogão, a operação é simples, porque 95% do produto é composto de aço e alumínio”, destaca Vale Jr. “O problema fica mais complexo quando tratamos de freezers e geladeiras, que contêm gás”.

O executivo contou que um projeto piloto realizado pela Whirlpool, em Santos (SP), mostrou que até questões, digamos, prosaicas, interferem. É que o brasileiro, em geral, resiste em se desfazer de geladeiras, quando elas encerram seu ciclo de vida. “As pessoas acabam passando para amigos, ou mesmo reutilizando o aparelho como armário”.  É isso, segundo Vale Jr., que ajuda a explicar o baixíssimo índice de retorno de refrigeradores vendidos no Brasil (1%) em comparação ao verificado na Europa (47%).

 

SAIBA MAIS:

Sobre o sistema de recolhimento de eletrodomésticos da Fecomércio, de SP

Sobre o Relatório de Sustentabilidade da Whirlpool

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