Fazer o bem, olhando a quem

Não restam dúvidas de que a economia brasileira enfrenta uma situação delicada, para dizer o mínimo, desde o início de 2015. Neste contexto, seria natural esperar que as empresas privadas, de modo geral, reduzissem a fatia de recursos destinada a programas sociais. Certo? Bem, mas não foi isso que aconteceu. Pelo menos é o que garante a pesquisa BISC 2017 – Benchmarking do Investimento Social Corporativo, que faz um balanço dos investimentos sociais privados no Brasil. Somente no ano passado, foram destinados R$ 2,4 bilhões para projetos comunitários. Trata-se de um volume 41% maior do que o montante investido em 2007, quando a pesquisa começou a ser realizada.

Apesar de a situação ser positiva, a crise impactou, sim, o caixa disponível para as doações. Uma amostra disso é que somente 36% as empresas, fundações e institutos ligados à empresas e/ou grupos empresariais ampliaram os desembolsos no ano passado, em relação ao período anterior. A prevalência dos gastos continua sendo das áreas de educação e cultura, além dos programas destinados ao desenvolvimento da comunidade no entorno das empresas.

O processo de desconcentração da atividade econômica, especialmente na área industrial, ajuda a explicar um fato interessante. Em 2009, a região Sudeste abocanhou 47% das verbas, enquanto a Norte e a Nordeste ficaram com apenas 19%. No ano passado, contudo, o sinal se inverteu: 42% para o Norte-Nordeste e 28% para o Sudeste (Veja quadro abaixo).

A pesquisa integra os esforços da ONG Comunitas cuja missão é incentivar a participação da iniciativa privada em ações destinadas a reduzir as desigualdades sociais. Dos R$ 2,4 bilhões investidos em 2016, somente 19% (R$ 458 milhões) foram oriundos de leis de incentivo fiscal. Um detalhe que chamou a atenção dos responsáveis pelo levantamento foi o fato de as empresas estarem, cada vez mais, alinhando sua ação social ao negócio.

Outro dado que chama a atenção é o fortalecimento das parcerias entre empresas e ONGs, encarregadas de executar os projetos. Do total destinado para ações de impacto social, em 2016, R$ 512 milhões passaram pelas mãos de organizações sociais. Levando-se em conta os aportes realizados em 2011, o aumento foi de 41%. Apesar disso, as empresas e seus braços de filantropia se mostraram mais seletivos ao reduzir, de 1.756 para 810, o número de ONGs beneficiadas.

Fonte: pesquisa Benchmarking do Investimento Social Corporativo (BISC) 2017

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SAIBA MAIS:

Sobre o trabalho da Comunitas

 

 

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