Negócios que impactam vidas

Em meados de 2015, a paulistana Fernanda de Arruda Camargo decidiu dar uma guinada em sua trajetória como economista especializada em gestão patrimonial. Depois de atuar por 23 anos no mercado financeiro, aqui e no exterior, era hora de apostar na carreira-solo. O primeiro cliente de sua Wright Capital Wealth Management foi conquistado com uma ajuda do destino, durante um evento sobre investimento de impacto social. “Ao término da palestra, um senhor que estava ao meu lado quis saber mais sobre aquele tema”, conta. “Foi aí que eu disse que poderia ajudar”. Mais do que gestão de patrimônio o foco da empresa são as famílias que desejam deixar um legado à sociedade, destinando ao menos 1% do patrimônio para o fortalecimento de negócios com este perfil.

Trata-se de um segmento que surgiu há cerca de 10 anos e movimenta US$ 170 bilhões no mundo. No Brasil, existem 29 fundos de impacto social que já investiram US$ 186 milhões. Um volume tímido quando comparado ao das demais economias de porte semelhante, mas que indica o potencial deste segmento por aqui. “Impactos já sabemos que estes investimentos causam. No entanto, ainda não está claro se estão gerando dividendos financeiros aos investidores”, destaca Daniel Izzo, fundador da Vox Capital.

Izzo é um dos pioneiros neste setor no Brasil. Executivo de uma multinacional da área de higiene e beleza, ele resolveu migrar para o Terceiro Setor ao se sentir incomodado com as flagrantes injustiças sociais cada vez mais recorrentes em seu cotidiano. “Chegava ao trabalho com vontade de voltar para casa”, conta. “Não suportava mais ver tantos problemas de segurança e de abandono no entorno do prédio no qual trabalhava”.

Plateia do BlastU, em SP

Essa vontade de se tornar agente de transformação social e econômica é um traço comum no DNA de boa parte dos palestrantes e do público que passou pelo festival blastU, que acontece na segunda e terça-feira (dias 16 e 17), no prédio da Bienal de Artes, em São Paulo. O local foi tomado por expoentes da cultura maker, investidores e ativistas sociais que se dividem entre as palestras (o lineup inclui 40 convidados), workshops, demonstrações de tecnologias por meio de óculos de realidade virtual e muito networking.

Apesar do idealismo e do altruísmo, Fernanda é enfática. “Filantropia é importante e, infelizmente, ainda é pouco praticada no Brasil”, diz. “Mas isso só vale para as necessidades muito básicas. Passou disso, a resposta para melhorar o país são os investimentos de impacto social”.

Com a experiência de quem cursou economia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e tem cursos de extensão em corporate finance na University of California, Berkeley, ela sabe muito bem do que está falando. Afinal, conhece os “dois lados do balcão”. Fundou o Instituto LiveWright, ONG dedicada à gestão de esporte olímpico, e integra o conselho da ONG Atletas pelo Brasil.

Para bancar negócios sociais, a controladora da Wright Capital convence seus clientes a investir ao menos 1% em projetos com este perfil. “Ao final de cada ano, além do relatório financeiro nós elaborados o`relatório de almas´, que indica o impacto gerado na vida das pessoas e comunidades beneficiadas”, conta.

 

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Sobre investimento de impacto, no Brasil

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