O doce negócio de fazer chocolate

A primeira imagem que se divisa ao adentrar pela portaria do parque fabril da Cacau Show, em Itapevi (SP), é uma estrutura arredondada, feita de vidro fumê, onde se pode apreciar espécies de plantas típicas da Mata Atlântica. Aqui e ali é possível ver um pé de cacau, matéria prima estratégica de uma das mais vibrantes indústrias de chocolate do mundo. O espaço batizado de estrufa, junção das palavras estufa e trufa, foi concebido como parte da proposta de imersão no universo da empresa, no qual as sensações são valorizadas ao extremo.

Em todos os sentidos.

A começar pela visão. Cada detalhe do prédio de 52 mil m² de área construída foi meticulosamente planejado. A começar pela decoração, salpicada de objetos assinados pelo grafiteiro Kobra e produzidos a partir de materiais descartados na obra. O Fusca, na cor bege e faixa branca nos pneus, se impõe majestático logo abaixo de um painel com a “linha do tempo” da empresa. Afinal, era a bordo deste bólido que o empreendedor Alexandre Costa percorria as ruas e avenidas da Zona Norte de São Paulo para fazer as entregas no período inicial da Cacau Show, baseada no aprazível bairro da Casa Verde.

O bólido usado por Alexandre, dono da Cacau show, para fazer entregas

Apesar de todas as reminiscências, a empresa está totalmente plugada no futuro. E todos os demais ambientes deixam isso bem claro. A inspiração para a formatação dos espaços veio do Vale do Silício. Nada de paredes. A decoração é clean e o local possui um bar para happy hour, academia e salão de beleza, além de um restaurante com jeitão modernoso que em nada lembra os refeitórios convencionais. Ah, quem se sentir estressado ou com “bloqueio criativo” pode optar por uma descida no escorregador entre o térreo e o primeiro piso.

A outrora fabriqueta de trufas do jovem empreendedor deve fechar o ano com receita de R$ 3,5 bilhões, incluindo as vendas das 2.100 lojas, das quais 150 são próprias. E a meta é para lá de ambiciosa para os próximos anos. “Deveremos atingir faturamento de R$ 5 bilhões em 2020”, explica Daniel Roque, executivo responsável pelos canais de vendas, uma das áreas mais importantes da empresa.

Para atingir este objetivo estão sendo feitos alguns movimentos importantes, destinados a reforçar o processo de verticalização do negócio. “A produção de panetones, hoje nas mãos de terceiros, será feita aqui dentro”, conta. Trata-se da mesma lógica aplicada ao seu mais básico insumo: o cacau. Para isso, Alexandre adquiriu três fazendas, em Linhares (ES).

Na área de 53 mil hectares os 120 mil pés de cacau, cultivados de forma orgânica (sem uso de pesticidas, por exemplo), começam a dar os primeiros frutos. A produção ainda é incipiente para as necessidades totais da Cacau Show. Contudo, as 10 toneladas/mês de cacau abastecem totalmente a mini fábrica instalada no térreo do complexo industrial de Itapevi. O projeto foi batizado de To bean to bar (do grão de cacau para a barra, em tradução livre).

Bem ao lado desta unidade fica a Mega Store, uma loja conceito que atende o público e serve de vitrine para o universo Cacau Show. De acordo com Roque, a ideia é instalar outras unidades do gênero na cidade de São Paulo. Outra novidade no segmento varejista serão as cerca de mil lojas temporárias que vão funcionar como um reforço em épocas especiais: Páscoa e Natal. O primeiro período responde por 40% de toda a receita anual. “Neste ano, estamos produzindo oito milhões de ovos de páscoa”, conta ele. “E nosso grande esforço é que seja vendida até o último deles”.

Internacionalização

Sem dúvida, a Cacau Show é um caso de sucesso mundial e que possui muitas histórias para contar. Depois de fixar sua marca no Brasil – é a maior anunciante do setor, no país, com 20 campanhas por ano – Alexandre espera conquistar o mundo. O início será pela América Latina, onde está em desenvolvimento um projeto que prevê a abertura de lojas na Colômbia, na Argentina e no Chile.

De acordo com o executivo responsável pelos canais de venda, a grande inspiração vem da paranaense O Boticário. “Temos conversado muito com eles sobre este projeto”, diz. Antes de atravessar definitivamente a fronteira, A Cacau Show fará um pit-stop nas lojas duty free dos principais aeroportos do Brasil.

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