Pausa para um café. Sustentável

Vem de longe a vocação industrial de Montes Claros, cidade que se impõe como a mais robusta da região norte de Minas Gerais. Mais precisamente do ano de 1882, quando foi inaugurada a Companhia de Fiação e Tecidos Cedro e Cachoeira, a mais longeva empresa do Brasil, ainda em atividade. O Distrito Industrial é diversificado e conta com representantes de variados segmentos, tais como: gases, biocombustíveis, logística e alimentos. Neste último, quem desponta é a suíça Nestlé que possui duas fábricas em um terreno de 262 mil m²: a de Leite Moça e a de Dolce Gusto, uma das marcas de cápsulas de café da Nestlé.

Na terça-feira (6/3), um grupo de jornalistas provenientes de São Paulo fez um périplo pela unidade da Dolce Gusto. A visita tinha como efeméride o investimento de R$ 200 milhões na implantação de duas linhas de produção, dobrando a capacidade para 800 milhões de cápsulas por ano.

No entanto, mais do que o produto a ser fabricado, o que chama a atenção no local é como se dá esse processo. “Essa é a primeira fábrica da Nestlé, no mundo, a conseguir a certificação de emissão zero”, diz, com indisfarçável ponta de orgulho, Silvana Diaz, gerente da unidade. Na prática, isso significa dizer que a empresa é exemplo mundial nas seguintes categorias:

Resíduos sólidos – a reciclagem, a compostagem e o reaproveitamento de materiais (plástico e papelão) fizeram com que 883 toneladas de lixo deixassem de ser destinados aos aterros, no ano passado,

Energia – integralmente proveniente de fontes renováveis, como eucalipto de reflorestamento (cultivado na fazenda Floresta Mirabella, de propriedade da Nestlé) usado na caldeira, além de energia elétrica de fontes hídrica ou eólica adquirida no Mercado Livre,

Água – toda a água usada no processo produtivo (torrefação de grãos), torres de resfriamento, lavatórios e chuveiros provém do aproveitamento do vapor gerado no cozimento do leite na unidade ao lado. Estamos falando de 66 milhões de litros por ano, dos quais a Dolce Gusto utiliza 12,5 milhões de litros. Para purificar a água foram investidos R$ 14 milhões em equipamentos,

Emissões de gases – por meio da compra de 180 toneladas de créditos de carbono foi possível zerar a emissão de gases que causam o efeito-estufa, apontados como vilões do aquecimento global.

Silvana Diaz, gerente da fábrica Dolce Gusto

Outra característica que chama a atenção na Dolce Gusto é a presença feminina, em todas as áreas. Nada menos do que 44% do contingente de 120 funcionários são do sexo feminino. A começar pelo topo da hierarquia: gerência e sub gerência.

“Nossa política de inclusão está inspirando a unidade de Leite Moça, na qual a participação das mulheres subiu de quase zero para 12%, em menos de 3 anos”, destaca Silvana, da Dolce Gusto. Para atrair jovens talentosas, a executiva e seu staff participam com regularidade de eventos nas universidades da região, para conversar sobre a participação da mulher no mercado de trabalho.

Do ponto de vista do negócio, o aumento da capacidade produtiva permitirá que a fábrica de Montes Claros possa ampliar sua área de atuação, hoje limitada ao Brasil e aos países do Mercosul: Argentina, Paraguai e Uruguai. O México e o Chile são dois que podem entrar nesta lista, de acordo com Pedro Feliu, diretor de Nescafé, divisão da Nestlé que é responsável pela aquisição de 10% de todo o café comercializado no planeta.

 

  • O jornalista viajou para Montes Claros a convite da Nestlé
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