Sustentabilidade no DNA

As startups, empresas surgidas na década de 1990, na efervescência do movimento tecnológico que fez brotar o Vale do Silício, na Califórnia, já nasceram com a preocupação da sustentabilidade no seu DNA. Foram estes empreendedores, que ajudaram a fazer da mais rica das 50 unidades federativas que compõem os Estados Unidos o mais ambientalmente correto. Mas isso não significa dizer que as empresas veteranas estejam fora deste processo. Um exemplo eloquente neste sentido é a mineira Cedro Têxtil.

Fundada há 145 anos em Caetanópolis, a tecelagem desponta como uma das mais sustentáveis do setor, no mundo, por conta de seu pioneirismo em diversos campos. Foi a primeira indústria do Brasil a se abastecer de fonte 100% renovável, com a implantação de uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH), na Serra do Cipó. A unidade está ativa até hoje e responde por cerca de 8% de seu consumo de energia. A Cedro também possui um dos processos produtivos mais econômicos em matéria de utilização de recursos hídricos: 98% da água de resfriamento é reaproveitada e 20% dos efluentes são tratados e reutilizados. Mais. A produção de cada metro linear de tecido consome 40% menos água em relação às tecelagens convencionais.

Até aí poder-se-ia dizer que se trata de componentes obrigatórios para quem pretende cavar seu lugar ao sol no exigente mercado internacional, em especial o europeu. Mas a preocupação ambiental é parte integrante da estratégia de negócio da empresa. Uma boa amostra disso está na criação da linha Biofashion de jeanswear. “A preservação ambiental e a sustentabilidade dos nossos produtos são componentes que já estão consolidados em nossa rotina criativa e industrial”, diz Leandro Vieira Coelho, gerente de desenvolvimento de produtos da Cedro.

Nesta linha, a empresa lançou recentemente três produtos batizados de No Wash, Splash e Splash Denim para brigar no segmento de moda. Além disso, investiu na tecnologia para segmentos específicos como o nicho de uniformes e conta com características diferenciadas como o uso de fios PET pós-consumo e a aplicação de uma camada de flúor e carbono (mais conhecido pelo nome comercial de teflon). “Esses elementos fazem com que o tecido seja repelente a líquidos e não propague odores”, destaca.

Apesar de ter obtido um padrão de sustentabilidade exemplar no setor, a direção da Cedro persegue uma meta ainda mais ambiciosa: tornar-se uma empresa emissão zero. Para isso, vem atuando fortemente, também, no que acontece da porta para fora. A carteira de fornecedores, por exemplo, é examinada com lupa, periodicamente. A compra de algodão é limitada a produtores com o selo BCI (Better Cotton Initiative) e certificados pela ABR (Algodão Brasileiro Responsável). Agora, está levando esses postulados também para as indústrias químicas das quais adquire os corantes. “Hoje, já usamos corantes biodegradáveis na linha Bio Fashion”, diz o gerente de desenvolvimento de produtos. “O objetivo é chegar a 100%”.

*Texto atualizado às 21h15min

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