Tatu-bola ganha casa nova

Finalmente, o tatu-bola vai ganhar casa própria. O mascote da Copa ameaçado de extinção terá um parque para chamar de seu, com a criação do Refúgio de Vida Silvestre Tatu-bola, pelo governador de Pernambuco, Paulo Câmara, no último sábado, 14/3, na cidade de Petrolina (PE). No ano passado, pesquisadores da Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco) se mobilizaram fortemente em prol da iniciativa, como relatamos em 1 Papo Reto.

A unidade de conservação tem 110 mil hectares, abrangendo os municípios pernambucanos de Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista. O objetivo é proteger da devastação a rica biodiversidade da Caatinga. O Tolypeutes tricinctus, considerado na lista internacional de espécies da IUCN como “vulnerável”, foi o ponto de partida dos professores da Univasf René Cordeiro e José Alves de Siqueira Filho para a mobilização.

José Siqueira, Maria Jaciane e René Cordeiro - ativismo deu certo
José A. Siqueira, Maria Jaciane e René Cordeiro – ativismo deu certo

Como o bichinho simpático se tornou mascote da Copa (lembram do Fuleco?), a dupla de amigos docentes se animou e intensificou o ativismo em prol de um parque numa área onde viviam assentados pelo Incra. O problema maior seria conseguir verba para tal.

O então secretário do Meio Ambiente de Pernambuco, Carlos André Cavalcanti, dizia que os recursos viriam de compensação ambiental de grandes empreendimentos realizados no Estado.

“Estou sentindo uma felicidade imensa e a sensação de uma etapa de vida cumprida. Agora vamos fazer o refúgio virar realidade na prática”, afirma Cordeiro.

O decreto com a criação do parque será publicado nos próximos dias no Diário Oficial de Pernambuco.
Olhe o que os protagonistas deste caso disseram na época:

 Leia um resumo da verdadeira saga na qual se transformou o projeto de preservação do tatu-bola:

O local escolhido para abrigar o parque é rico em fauna e flora: tatus, veados, mocós, preás, uma infinidade de répteis e de aves, além de juazeiros, umbuzeiros, umburanas. O lugar pertence ao estado de Pernambuco, e hoje contempla assentamentos realizados pelo Incra. Toda essa riqueza que salta aos olhos dos pesquisadores, porém, está ameaçada.

Os assentados acabaram desmatando muito o entorno e caçam os animais. “Um morador tem uma horta orgânica, mas a maioria lá desmata. Há uma escola também, mas é tudo muito precário. A merenda é macarrão com salsicha, o banheiro é ruim”, conta René. “Se não houver preservação, em 10 anos não vai existir mais nada.”

Um trabalho de campo feito pelos dois docentes da Univasf revelou o potencial daquilo tudo se tornar um parque. “Perguntamos aos moradores sobre o tatu. Eles diziam: ‘Tinha o tatu-bola, o fulano caçava, mas hoje não estamos encontrando’”, lembra René. O desaparecimento do tolypeutes tricinctus fez soar o alarme.

Tendo tudo isso em vista, a dupla de amigos pensou: por que não aproveitar o gancho do mascote da Copa, o Fuleco (um tatu-bola), e conseguir recursos para um parque?

Em tempo recorde, colocaram a mão na massa: entraram em contato com o pessoal da Associação Caatinga, responsável pela campanha que alçou o tatu a mascote da Copa, elaboraram um projeto para o parque, que envolve ação educativa, trabalho de campo e formação de guias, procuraram o secretário do Meio Ambiente do Estado de Pernambuco e postaram abaixo-assinado online mobilizando pessoas.

 

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