Vamos repensar o gerenciamento da água?

Adoro noticiário local. Se você quer saber o que acontece onde mais interessa a você, ou seja, onde você mora, o negócio é ficar de olho nas notícias da cidade. O SP-TV, da Rede Globo (sinal aberto) é bom demais e merece ser assistido. No dia 25 de fevereiro deu ao meio dia o seguinte: a cidade de São Paulo tem 3 mil quilômetros de córregos, a maior parte deles encanados e portanto por baixo da terra. Em uma parceria da Prefeitura da capital com o governo do estado a Sabesp fez um plano, gastou R$ 100 milhões e despoluiu 85% de 185 quilômetros de córregos.

Isso dá 157,25 quilômetros de córregos limpos. O que equivale, na ordem geral das coisas, a pouco mais de 5% do total de córregos que tem a cidade. Assim, ainda temos 2.842,75 quilômetros de córregos que precisam ser limpos. Sem abusar da paciência de ninguém, mas pede a comparação infame: o trabalho feito equivale quase a uma gota no oceano.

Em termos de dinheiro público gasto, isto é, o meu e o seu, os R$ 100 milhões investidos para limpar pouco mais de 5% dos córregos, segundo o SP-TV, equivale, conforme meus cálculos, ao gasto médio de R$ 635,9 mil por quilômetro de córrego despoluído.

Se decidirem limpar tudo a esse custo, basta extrapolar para 3 mil quilômetros e teremos a conta final de R$ 1,9 bilhão.

Só porque são governo?

Tá muito bom que a água é o bem mais precioso, que precisa ser cuidado e tudo mais. Porém, venhamos e convenhamos, atravessamos escassez e racionamento disfarçados de rodízio, um problema anunciado há quase 10 anos pela própria Sabesp, por incompetência de alguém – e esse não sou eu porque sou microempresário privado. Por que será que a mesma turma deve cuidar da limpeza dos córregos? Só porque são governo? Mais ou menos, respeitável público.

Porque me pergunto, será que o modelo de gerenciamento de água está correto? Não será hora de abrir espaço para empresas com tecnologia comprovada em despoluição de rios apresentarem propostas? Será que não é hora de reduzir a área de atuação da Sabesp? Por que agora esse apego à empresa pública se no tempo em que privatizar era moda ninguém chorou pelo Banespa? Vamos repensar a atuação desse estado que me manda economizar água e gasta mais (água) em época de crise.

Fernando Neves é jornalista e sócio da Argonautas Comunicação & Design

 

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