Reciclagem de sonhos e de caminhões

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Quem é: Geraldo Rufino
Por que é importante: criou e comanda a principal empresa de reciclagem de caminhões do País

"Eu sempre fui feliz. Desde o primeiro momento que me lembro de minha vida, aos dois anos, eu já sabia que era uma pessoa feliz." A frase, dita com um largo sorriso nos lábios, é do empresário Geraldo Rufino, de 55 anos, dono da JR Diesel, a maior recicladora de caminhões do Brasil. E felicidade, de fato, tem sido um verdadeiro mantra em sua vida. Até mesmo nos momentos de maior adversidade. A infância de Rufino foi pontuada por inúmeras dificuldades.  Aos sete anos, ele e os irmãos José e Moacir, ajudavam o pai a catar produtos recicláveis no aterro sanitário na periferia de São Paulo, ao lado da Favela do Sapé. Só que em vez de considerar aquilo um fardo, o empresário aproveitou todas as oportunidades que surgiram. "Alugávamos nosso carrinho nos finais de semana para outros meninos irem ajudar as madames a transportar as mercadorias na feira livre", recorda. Aos 15 anos, seu livro de cabeceira era "1001 Maneiras de Enriquecer", de Joseph Murphy.

Empreendedor nato, Rufino abriu diversas empresas em companhia dos irmãos e também de sócios internacionais. Quebrou a maioria delas, mas nunca desistiu. Nem mesmo quando uma marca americana caminhões rompeu unilateralmente a sociedade que havia dado origem a três concessionárias. "Fiquei com um pepino de US$ 4 milhões e 120 ações trabalhistas nas mãos", diz ele. "Fui obrigado a vender tudo o que tinha, incluindo a casa na qual morava, para poder pagar as dívidas."

Tudo isso foi feito enquanto atuava no Playcenter, onde entrou como office boy e saiu, em 1987, aos 29 anos, como um prestigiado diretor de Operações da divisão Playland, de jogos eletrônicos. Sua insistência em ser empresário fez com que o dono da empresa não apenas o liberasse como também lhe desse um cheque de US$ 100 mil para ajudar na nova empreitada, a JR Diesel, fundada dois anos antes. Com tempo para se dedicar integralmente, Rufino começou a trabalhar "25 horas por dia", para consolidar o negócio. Deu certo. Hoje, ele toca a empresa em companhia dos filhos, Arthur e Guilherme, além da esposa, Marlene.

Rufino se firmou como o maior reciclador de caminhões do país. A inspiração para o negócio foi obra do acaso. Os dois caminhões, que ele possuía em parceria com os irmãos, quebraram e ele teve a ideia de "fatiar" um deles para vender as peças. Viu que ali havia uma oportunidade de negócio para quem fosse além do óbvio e enxergasse valor na cadeia de reciclagem. Em 2013, a empresa obteve faturamento de R$ 50 milhões e a expectativa é crescer 30% neste ano. Graças, em boa medida à aprovação da Lei de Desmanches, em São Paulo, que disciplinou a compra e venda de peças de veículos acidentados ou que saíram do mercado. "Nossa empresa foi usada como base para a regulamentação da lei", festeja o empresário.