O homem que virou suco. Do bem

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Quem é: Marcos Leta Leoni
Por que é importante: criou a primeira empresa que produz, em larga escala, sucos naturais que apostam em bebidas de qualidade

O mercado de bebidas, em geral, e o de sucos, em particular, entrou no foco de grupos de ambientalistas e dos brasileiros que se preocupam com a saúde. Especialmente das crianças. Tudo porque a cineasta Estela Renner mostrou, em seu documentário Muito Além do Peso, que o suco, ou sumo, era na verdade muito mais açúcar com água do que outra coisa. Este fenômeno, aliás, já havia chamado a atenção do jovem executivo carioca Marcos Leta Leoni, criador da empresa Sucos do Bem. O negócio começou de forma tímida em 2009 e hoje a empresa representa uma opção viável, apesar de cara, para quem deseja consumir bebidas naturais sem ter de comprar a fruta. A inspiração veio das casas de suco, tradicionais na paisagem da região central e nos bairros da Zona Sul do Rio de Janeiro. "Estava em uma casa de sucos e pensei comigo: Por que não colocar as frutas dentro de caixinhas e, com isso, facilitar a vida das pessoas?".

Deu certo. Em pouco tempo, o Sucos do Bem chegou a mais de três mil pontos de venda das regiões Sul e Sudeste, além de Brasília, onde se concentra a maior fatia de pessoas com elevado poder aquisitivo. A distribuição nacional está prevista para até o final de 2016. Para colocar o negócio de pé, o empreendedor raspou as economias e recorreu a amigos e parentes. Preocupado em fazer um negócio inovador deste o início, Leoni fez questão de pegar a gravata que usava no emprego anterior, em um banco de investimentos, e pendurar em um quadro. O mesmo ritual é seguido por cada novo funcionário que começa a dar expediente na empresa. Às sextas-feiras é permitido até usar sandálias, dia chamado de "Havaianas Day". Mas o trabalho é duro, e as metas ambiciosas: fechar 2016 com faturamento de R$ 180 milhões. Uma das grandes sacadas do modelo de negócios desenhado por Leoni foi não demonizar a concorrência.

Em vez de falar dos "defeitos" dos outros, ele se lançou em uma verdadeira pregação dos benefícios associados ao consumo de seu produto. O foco são pessoa que, como ele, prezam uma vida mais saudável. As frutas são coletadas em fazendas dos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. O suco é processado no local e armazenado a vácuo, para ser envasado em caixas longa vida, em Araraquara (SP). Na porta da unidade um cartaz dá o recado de forma bem humorada: "Proibida a entrada de conservantes, corantes, anabolizantes e outros antes". Por ser mais natural, a validade é de apenas quatro meses, bem abaixo da dos sucos industrializados. "Não descobrimos a roda, só ligamos alguns pontos para desenvolver uma tecnologia a vácuo onde tudo é processado e envasado sem o contato com oxigênio", disse o empresário em recente entrevista à revista Exame.

Se não inventou a roda, é certo que ele foi bastante inovador. E que além de apostar no bom e velho suco de frutas, Leoni também criou produtos com a pegada mais ousada, como o Detox Monstro, usado para "purificar" o organismo após uma noite de excessos. A tradicional água de coco também faz parte do portfólio. Mas a diversificação não se limita aos sabores. A empresa está se enveredando pela área de eletrônicos, licenciando sua marca para produção de gadgets. O primeiro deles é uma pulseira high-tech com sensores capazes de captar informações sobre o corpo do usuário, tais como as calorias gastas numa caminhada ou a quantidade de passos. As informações são enviadas por sensores ao smartphone, permitindo a geração de um "relatório com dados sobre a saúde". E não vai parar por aí. "Continuaremos inovando em bebidas e também em experiências saudáveis. Mas ainda não posso revelar nenhum detalhe sobre isso."