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Quem é: Maria Botelho Alves Pena
Por que é importante: mesmo tendo passado o período de aposentadoria, ela segue na escola pública formando campeões em matemática, e na vida

Uberlândia é uma das mais prósperas cidades de Minas Gerais. Situada no chamado Triângulo Mineiro, é famosa pelas indústrias e as empresas do setor de serviços, especialmente no nicho de distribuição. OK. Mas o que vem fazendo a cidade ser conhecida nacionalmente nos últimos tempos é a dedicação de uma funcionaria pública. Pequena na estatura, mas que do alto de seu 1,54 metro se tornou uma gigante no compromisso com a educação de qualidade. Trata-se da professora de matemática Maria Botelho Alves Pena, de 53 anos, que leciona na Escola Estadual Messias Pedreiro que se tornou célebre pela profusão de medalhas que ajudou os estudantes a conquistar em diversas edições das Olimpíadas Brasileiras de Matemática para Escolas Públicas (Obmep).

Ela diz não possuir uma fórmula mágica para ensinar a matéria. "O que eu faço é o feijão com arroz", disse em entrevista recente ao portal IG. No entanto, aqueles que participam do dia a dia da mestre discordam, e levantam algumas hipóteses e pistas que ajudem a justificar e explicar os motivos que levam seus alunos a se destacar. "Ela está sempre nos desafiando e incentivando a melhorar", contou um deles. "Ela não mede esforços para nos ajudar a evoluir", destacou outro. A professora Maria está entre os três mestres brasileiros que conseguiram ajudar os alunos a ganhar o cobiçado prêmio em sete edições da prova. Façanha repetida apenas por outros dois professores: do Colégio Militar de Salvador (BA) e da Escola Augustinho Brandão, de Cocal dos Alves (PI).

Mas o que fica patente desta relação é que a professora Maria jamais desiste de nenhum aluno. Em nenhuma circunstância. "A turma vai pegando o gosto por estudar e vai procurando fazer mais, ir mais longe. Isso afeta os demais", diz. A professora já poderia estar aposentada desde 2010, quando cumpriu o tempo e a idade mínima exigidos em lei. Em vez disso, segue lecionando na escola que a projetou e onde recebe um salário mensal de R$ 1,5 mil. Mais que medalhas e menções honrosas, ela ajudou a transformar a Messias Pedreiro em um objeto do desejo de pais e alunos de todas as classes sociais de Uberlândia.

No ano passado, a fila para inscrição no ensino secundário começou com três dias de antecedência. Munidos de barracas e muita disposição, os pais acamparam diante da escola. Todos partilhavam o mesmo sentimento: lutar por um futuro melhor para seus filhos. E as lições passadas pela veterana professora têm um peso importante nisso. Difícil encontrar um aluno da Universidade Federal de Uberlândia que não tenha passado por uma de suas classes. Nas festas para celebrar os premiados a cada edição ela reencontra alguns deles. Vista como uma espécie de popstar na área educacional, Maria esteve recentemente e um evento oficial em sua cidade natal, Monte Carmelo (MG), onde também atuou como professora. O encontro teve por objetivo "dar um gás" nos alunos que iriam participar da segunda fase da disputa da olimpíada. No palco, ela ficou ao lado de um de seus ex-pupilos, Bento Souza Borges, que hoje exerce o cargo de secretário municipal de Educação.