Copa, venha logo!

E lá vem a Copa! E virão os protestos, os estrangeiros, os palpiteiros, os agoureiros, os otimistas e os festeiros! Sim, porque Copa do Mundo, seja no Brasil ou não, é festão com os amigos e parentes, sejam eles torcedores de times rivais ou não. Na Copa todo mundo é torcedor do Brasil. Até os que querem que a seleção brasileira tenha um desempenho pífio. Os que dançaram no recente escândalo da Petrobras (que ainda não chegou aos “finalmentes”) respiram aliviados e torcem para o tempo passar mais rápido até o dia 12 de junho, quando a bola começa a rolar em São Paulo, no 1º jogo do Mundial.

Só assim para ficarem em 2º ou 3º planos no noticiário. Ah, e torcem como nunca para a nossa seleção ganhar todos os jogos e de goleada.

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Churrascão de doleiro

Dá até para imaginar uma charge de um churrascão fictício na casa do Paulo Roberto Costa – toda decorada de verde e amarelo -, com as presenças do doleiro Alberto Youssef e dos demais envolvidos de perto ou de longe, com assento ou sem assento no Palácio do Planalto, em frente ao telão onde é transmitido um jogo da seleção.

Mas aí – esperam -, quando o torneio acabar, em meados de julho, talvez poucos queiram, em meio à imensa alegria do hexa, voltar a ouvir e a falar de escândalo da Petrobras, da culpa ou não de fulano ou fulana na compra da refinaria de Pasadena etc. etc.

Políticos tirando licença

Nesse período de Copa vai ter muito político tirando licença para aplicar camadas de teflon, de modo a se preparar para a retomada do debate político em julho.

Mas só de pensar que depois de um mês vendo futebol de qualidade teremos que voltar a aguentar as fofocas, troca de acusações lavagens de roupas sujas que já nos atormentam dá uma canseira…

Esperemos que essa retomada, embora chata mas necessária, do debate político, torne os brasileiros mais conscientes do que precisam fazer nas urnas. E que não continuem apenas a torcer por um ou outro nas eleições, como o fazem nas copas. Passem a exigir e a cobrar compromissos sérios e fiscalizem seus candidatos antes e após as eleições.

Discurso sério, real e aderente a reivindicações

Faltam mais candidatos, é verdade, para aumentar a opção dos eleitores. Os que estão aí parecem não falar a linguagem da população; parecem não enxergar o que atormenta os brasileiros. Estão há anos no poder – de uma forma ou de outra, inclusive os que se dizem de oposição – e nem fizeram as reformas pelas quais a população clama há tanto tempo.

Houve avanços para o resgate da cidadania, mas há um sentimento de que bem mais poderia, e deveria, ter sido feito. Ainda aguardo da parte deles um discurso mais sério, real e aderente às reivindicações da população por condições dignas de vida.

Sergio Cross é diretor da Profissionais do Texto Agência de Comunicação