O preço para empresas e pessoas

A presença e diversos atores, oriundos de diversos segmentos, normalmente, ajuda a enriquecer o debate. No caso dos temas relativos à sustentabilidade, como a escassez hídrica e suas implicações na vida de pessoas e de empresas, o encontro de pessoas com visões distintas sobre a questão ajuda a amadurecer o debate.

Neste contexto, 1 Papo Reto encerra a cobertura do Fórum Água 2016, promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), com uma entrevista exclusiva com Gustavo Pimentel, sócio diretor do SITAWI, um “banco social” baseado no Rio de Janeiro.

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Nas pesquisas comandadas por Pimentel, ficou claro que  valor da água já vem sendo medido pelas empresas. Afinal, diante da expectativa de escassez deste líquido precioso e finito, é preciso se antecipar a todos os cenários possíveis. A seguir, os principais trechos do bate papo:

Por a Sitawi, um “banco” social, resolveu entrar nas pesquisas sobre a questão hídrica no Brasil? 

A SITAWI opera desde 2013 um programa de Finanças Sustentáveis, sob minha responsabilidade, onde provê consultoria e pesquisa para que instituições financeiras e investidores incorporem questões socioambientais em suas estratégias e decisões de investimento. Já possuímos modelagens para diversos temas, como água, resíduos, mudanças climáticas, mas também direitos humanos, relações com a comunidade e gestão do capital humano. Entendemos que esse programa contribui para nossa missão de mobilizar capital para impacto socioambiental positivo.

Pelo que foi exposto no seminário promovido pelo CEBDS ficou claro que a água já é vista no setor produtivo como um elemento que impacta o futuro das empresas. Do ponto de vista estratégico para a economia, os estudos de vocês já mostraram quem mais perde com a escassez/má gestão hídrica no Brasil?

Os impactos da água variam conforme região, setor e porte da empresa. As empresas de grande porte, que possuem plantas produtivas espalhadas pelo país, acabam tendo uma proteção: se faltar água em uma região, desloca-se a produção temporariamente para outra unidade. Isso se refletiu em pesquisa de impacto setorial que conduzimos para empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo. Já as empresas pequenas e médias, que na maioria das vezes só possuem uma unidade produtiva, ficam altamente expostas ao risco de escassez.

O setor financeiro, de um modo geral, possui instrumentos que poderia ser usados como indutores de investimentos sustentáveis, por meio de linhas de crédito com taxas mais atrativas. Estes mecanismos são defendidos pela Sitawi?

A SITAWI defende mais capital, mais tipos de capital e sua melhor alocação para transformar mais vidas. Portanto, não basta apenas linhas de crédito com taxas mais atrativas, conforme demonstra a pouca demanda por linhas do BNDES para eficiência energética. Há barreiras não-financeiras que precisam ser resolvidas para gerar demanda por esses investimentos pelo setor produtivo: regulação, disputa interna por recursos, alta percepção de risco. Do lado financeiro, uma melhor distribuição dos riscos entre o setor privado e público, participação de terceiros como certificadores de performance e seguradoras também poderia destravar recursos. E precisamos de mais pioneiros que gerem casos de sucesso. Na SITAWI, buscamos gerar esses casos em pequena escala, com nossos empréstimos socioambientais.