Congresso de comunicação discute o futuro do País

Estavam presentes no Congresso Brasileiro de Comunicação Corporativa, no Centro de Convenções Rebouças, nesta quarta-feira (7/5), em São Paulo, o cientista e ex-ministro da Educação José Goldemberg, o presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, e o jornalista Gaudêncio Torquato, diretor da GT Marketing.

Fábio Barbosa, presidente do Grupo Abril, não conseguiu comparecer, e apareceu em um vídeo gravado para a ocasião. A iniciativa do evento é da nossa parceira Mega Brasil Comunicação.

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A ideia era conversar sobre o tema “O Futuro que nos Espera – o Brasil dos sonhos e o Brasil real”. Foi uma baita chance, portanto, para se falar de política e economia. Em ano de eleições, os ânimos em geral ficam acirrados. E, entre os palestrantes, o mais indignado parecia ser Gerdau. O presidente da gigante do aço não nega que o País esteja crescendo.

Porém, atento a relatórios macroeconômicos que acompanha, Gerdau, de 77 anos, resume a sua insatisfação aos seguintes números: nos últimos 30 anos crescemos, em média, 2,6% ao ano. É pouco. “Nos últimos 17 anos o Brasil cresceu menos que a média do mundo”.

“Não temos competitividade em nada a não ser minério e commodity”, afirmou ele. A peça-chave para melhorar esse quadro, disse o empresário, não é segredo para ninguém. É a melhoria de gestão e mais profissionalismo.

“Vocês acham que é possível trabalhar sem profissionalismo?”, perguntou. Na plateia, comunicadores, jornalistas, pequenos empresários, todos em busca de ideias arejadas e de inspiração para suas próprias carreiras.

Lembrando do etanol

Já que, na palestra, conceitos e definições se mostraram importantes na hora de apontar caminhos, o cientista José Goldemberg também direciona suas críticas com precisão. A busca pelo pré-sal realizada pelo governo, diz ele, não é suficiente. “Precisamos de soluções mais simples”, afirma, lembrando do programa do etanol como um feliz casamento da iniciativa privada com a área de ciência e tecnologia.

Fatima Turci foi a mediadora do evento em que foi lançado o Anuário Brasileiro da Comunicação Corporativa. Ela apresentou o vídeo com a fala de Fabio Barbosa. Nele, o executivo da Abril reafirma o que está na ponta da língua do empresariado: o país não tem problemas econômicos no momento (a taxa de desemprego está baixa, a inflação relativamente sob controle). O problema é que estamos envelhecendo e crescendo pouco.

“Vamos envelhecer antes de enriquecer”, diz Barbosa, que citou provérbio chinês segundo o qual é fundamental que cada um faça a sua parte. “Se cada um varrer a sua rua, a cidade fica limpa.” Isso, para o presidente do grupo Abril, talvez seja mais eficaz que uma reforma política.

A jornalista Fátima Turci pegou o gancho da fala de Barbosa para fazer uma provocação pertinente. “O poder público precisa recolher o que as pessoas recolhem”, afirmou. Ou seja, o campo político é necessário, vital.

Papel do Estado

Respondendo a uma pergunta da plateia, Torquato, que aproveitou a palestra para criticar o tamanho do programa Bolsa Família, afirmou a importância da “seriedade” em tudo o que se faz no País: na política, na sociedade, na iniciativa privada.

E, assim, num movimento pendular entre o Brasil dos sonhos e o real foi concluída a palestra.

Do lado de fora, na Rua Enéas de Carvalho Aguiar, uma procissão de cadeirantes, pessoas com doenças e idades variadas, caminhava em busca dos serviços públicos de excelência da região, em especial do Hospital das Clínicas. Alguns passavam mal em frente aos serviços ambulatoriais, enquanto grevistas de algum setor da saúde gritavam palavras de ordem como “o governo vai ter que respeitar os trabalhadores”. O Brasil real, enfim.