A inclusão racial no mercado de trabalho

O Projeto Colaborativo 1 Papo Reto tem como fio condutor de suas pautas a sustentabilidade. Não apenas como é entendida em geral, com sua ligação umbilical à preservação do meio ambiente. Acreditamos que temas como a inclusão social e racial são fundamentais em uma acepção mais generosa da palavra sustentabilidade. Afinal, é insustentável que, em 2014, ainda existam diferenças gritantes entre brancos e negros, em termos socioeconômicos.

Hoje, 13 de maio, dia em que comemoramos a abolição da escravatura, é uma oportunidade importante de ressaltar que a inclusão dos negros no mercado é mais do que uma questão de justiça social. Trata-se de uma forma de tornar a nossa economia mais criativa, diversa e sustentável.

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Mais negros entre os desempregados

No boletim que vai ao ar também neste 13 de maio, no nosso programa de rádio na Mega Brasil Online, falamos sobre a questão, apontando números como os levantados por pesquisa divulgada em novembro do ano passado pelo Dieese. Em todas as regiões metropolitanas, a proporção de negros entre os desempregados é SEMPRE superior à parcela de negros entre os ocupados.

Para ter uma ideia,  em Porto Alegre, a proporção de negros empregados era de 12,8%, enquanto no contingente de desempregados correspondeu a 19,1%.

Já na Região Metropolitana de Salvador, a população negra representava 90,4% da População Economicamente Ativa, porém, entre os desempregados os negros eram 92,6%!

Há diversas iniciativas que buscam inserir o negro em postos qualificados, e ações afirmativas em universidades federais e estaduais de todo o País têm previsto cotas para negros na academia, cada vez mais. Além disso, hoje tramita no Congresso projeto de cotas para negros no serviço público federal, e isso já é lei em algumas cidades brasileiras, como São Paulo.

Na Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, os estudantes são beneficiados por uma série de parcerias que abrem as portas de empresas, como bancos, montadoras e agências de publicidade, para a entrada no mercado de trabalho. Isso é super importante para que jovens da periferia, negros ou não, possam prosseguir em exames seletivos de alto nível sem que seus currículo sejam descartados logo de cara.

Cargos de chefia

No Bradesco, a parceria com a Zumbi existe desde 2005 e é consolidada. A diretora de RH do banco, Glaucimar Peticov, conta que já passaram pelo programa 243 estudantes até o momento. Desses, 72% foram contratados e, hoje, ao todo 33% dos admitidos pela parceria estão em cargo de chefia.

O próprio banco é beneficiado, pois ganha diversidade em seus departamentos. Segundo Glaucimar, que na equipe de RH também tem profissionais que passaram pelo estágio (veja foto à esq.), os participantes do programa chegam para fazer parte do time titular. As origens da inclusão social e racial no Bradesco, conta a diretora de RH, são antigas e se misturam com a criação do próprio Bradesco.

“Quando o banco foi fundado, Amador Aguiar contou com pessoas de sua confiança. Ele achou justo, no decorrer do processo, que as pessoas apoiadoras tivessem um desafio, e aí começou o que chamamos de ‘carreira interna'”, explicou Glaucimar. “A pessoa entra em nível inicial e tem acompanhamento. Acreditamos no desenvolvimento das pessoas.”

243 multiplicadores

No programa em parceria com a Zumbi, o banco vai à universidade, apresenta o programa de estágio, anualmente. São cerca de 300 candidatos para o processo seletivo para, em geral, 30 vagas. Eles recrutam alunos que ainda têm pela frente dois anos de graduação. “O objetivo é que eles vejam o que estão tendo na universidade e possam aplicar no mercado de trabalho”, diz Glaucimar.

“É alto o aproveitamento. A chance de não abraçar a oportunidade é pequena.” Para o banco, a executiva do RH diz que a diferença é grande. Os jovens da Zumbi trazem a “possibilidade de oxigenação, com suas ideias e percepções”, diferentes daqueles com o perfil tradicional, vindos de universidades de grife, digamos assim. “Eu diria que são 243 multiplicadores e auxiliadores.”