É para valer, ou para inglês ver?

“Responsabilidade Social: é pra valer?” Este é o nome da pesquisa que entrevistou gestores de 15 empresas brasileiras e 12 organizações da sociedade civil, além de cinco jovens da periferia paulistana, para saber a quantas anda a área nas corporações. O objetivo era despertar a reflexão e promover diálogo entre esses diferentes personagens. Nesta manhã de quinta-feira, 15/5, a conversa aconteceu com a presença de alguns dos entrevistados e a apresentação dos resultados.

Nos últimos anos, as áreas de responsabilidade social têm ganhado relevância, porém, ainda são um bocado restritas à comunicação institucional e ao “ganho de imagem”, conta a coordenadora do estudo, Julia Magalhães, do instituto Ideafix. “A empresa tem que entender que é um agente da sociedade e deve pensar de forma mais ampla, olhar o entorno. Pensar nos impactos que provoca – tanto negativos como positivos.”

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Continuidade dos projetos
Outra questão que surgiu nas entrevistas é que a área, em diversas corporações, é bem pouco relevante. Resumindo: é a velha história de querer sair bem na foto, no mundo corporativo.

Julia lembra que, em muitos casos, projetos de educação são largados no meio do caminho por empresas que param de atuar em determinada comunidade. Assim como programas do Estado mudam ao sabor do político escolhido como gestor, iniciativas do setor privado também sofrem com a descontinuidade.

É bom lembrar que muitos institutos e fundações empresariais são financiados por meio de programas de renúncia fiscal – em outras palavras, a corporação não tira do próprio bolso para custear o que faz em prol da sociedade, mas deixa de pagar tributos para cuidar desses projetos.

Criança, sim, presidiário, não!

Um dos pontos mais interessantes que surgiram no levantamento é o seguinte: a quem se destina a área de responsabilidade social? Conseguir botar em pé um projeto educacional focado em crianças de uma escola pública é fácil, porém quando o destinatário é um presidiário, ou se o assunto em pauta é o aborto de mulheres em situação vulnerável, todas as portas se fecham.

O estudo foi realizado entre março e abril deste ano. As empresas e institutos empresariais pesquisados, juntos, empregam mais de 200 mil pessoas, e registraram em 2013 venda líquida de R$ 160 bilhões. Estão entre eles Bunge, Instituto Natura, Magazine Luiza e Petrobras. Entre as organizações ouvidas estão Instituto Akatu, Idec, Conectas Direitos Humanos e Instituto Alana. Os cinco jovens participantes passaram por projetos educacionais de ONGs e iniciativas como programas de capacitação profissional.

A agência É Nóis foi parceira do Ideafix na realização do estudo e do encontro realizado nesta manhã.