Não demita seu fornecedor

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Muito tem se falado sobre não demitir os funcionários, um apelo para que, empresas com fôlego para enfrentar a crise causada pela pandemia, continuem com o mesmo quadro de colaboradores – mantendo assim a renda dessas pessoas e, por consequência, a economia girando. Pouco se fala, no entanto, sobre manter os fornecedores, um pensamento bem menos difundido, mas que segue a mesma lógica.

Se uma empresa com fluxo de caixa suficiente para aguentar a turbulência começa a cancelar os contratos com seus fornecedores, essas companhias que fornecem produtos ou serviços verão suas receitas caírem e, se não tiverem caixa suficiente para aguentar, muito provavelmente vão recorrer às demissões. Funcionário desempregado, menor movimento na economia.

É uma engrenagem, que, na medida do possível, deve se manter girando. Estamos todos no mesmo barco, tentando passar a turbulência. É claro que medidas enérgicas precisam ser adotadas, mas pense antes de “demitir” seu fornecedor. Ele tem seu histórico. O serviço que ele oferece é essencial neste momento? É possível negociar? Reduzir o “fee” mensal pode ser uma saída? Quem sabe parcelar? Enfim, que outras alternativas são possíveis de serem combinadas? Flexibilize as negociações.

É uma questão também de solidariedade, sem pressionar excessivamente o fornecedor. Quem puder arcar com suas contas deve fazê-lo, além disso, adiar o pagamento quando se tem o recurso não é uma boa estratégia, porque sabemos que em breve essa situação vai passar.

De modo geral, se está com caixa, mantenha funcionários e fornecedores, e você, pessoa física que continua recebendo salário, mantenha o pagamento de seus fornecedores também (massagista, manicure, diarista, personal trainer, etc) e, quando possível, utilize o seu vale refeição para comprar comida nos restaurantes do seu bairro. Vamos manter essa roda girando.

Iza França é jornalista. Especialista em Gestão de Comunicação pela Universidade de S.Paulo (ECA)