Nos bailes da vida

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Quem é: Asfilófio de Oliveira Filho

Por que é importante: trouxe o basquete de rua para o Brasil e se tornou parceiro de empresários americanos do show business

No Rio de Janeiro do movimento Black Power, o jovem Asfilófio de Oliveira Filho pilotava seu fusca pelas quebradas da Zona Norte e pelas baladas da Zona Sul. Transitava pelos dois mundos com bastante desenvoltura, ao lado de gente do quilate de Tony Tornado, Zezé Motta e Gerson King Combo.

Graduado em engenharia, Dom Filó, como ficou conhecido, atuou por pouco tempo na área. Logo cedo sacou que sua vocação estava no segmento de marketing. "Minha trajetória profissional foi 30% em engenharia e 70% em marketing", conta. Esse dom foi vital para que ele se firmasse como um dos mais ativos agitadores culturais das décadas de 1970 e 1980.

Filó foi responsável pela criação da equipe de som Soul Grand Prix e também das "Noites do Shaft", domingueiras dançantes que ajudaram a recuperar o brilho do tradicional clube Renascença – um bastião de resistência da cultua negra no Andaraí, bairro da zona norte do Rio. "Desde o início busquei fazer as coisas com profissionalismo, registrando a iniciativa como uma empresa e pagando todos os impostos", explica.

A visibilidade tanto na comunidade afrobrasileira quanto entre os jovens abonados fez com que os executivos da gravadora WEA o contratassem como produtor e gerente de marketing.

A inquietação e o desejo de realizar coisas novas a todo instante fizeram com que Filó se evolvesse em vários projetos ao mesmo tempo. Um dos que mais cresceram e no qual atua ate hoje é a Cultne, resultado da fusão da Cor da Pele – CP Produção e Vídeo e a Enugbarijô Comunicações, que possui mais de duas mil horas de imagens sobre a cultura negra brasileira.

"Temos o maior acervo digital do gênero no Brasil", gaba-se. O desejo de empreender ele herdou do pai, conhecido como Seu Sereno, um próspero comerciante de veículos da zona norte. "Ele me deu um carro zero quilômetro, mas me fez trabalhar para pagar todas as despesas associadas ao veículo", lembra.

Com disposição para "correr atrás" de seus sonhos e sem medo de errar, Filó embarcou para Nova York, onde conheceu a nata do basquete de rua nas quadras do Harlem. Graças aos seus contatos, a modalidade desembarcou por aqui, funcionando como uma alavanca para projetos educacionais baseados neste esporte, tanto no Rio quanto em São Paulo.

Foi também na seara esportiva que Filó acabou fazendo uma dobradinha com Pelé, quando o rei do futebol foi ministro dos Esportes. Na época, o agitador cultural desenvolveu iniciativas voltadas ao esporte paralímpico.

A facilidade de se relacionar com pessoas de todas as faixas da pirâmide social e a interlocução com integrantes da elite negra dos Estados Unidos continuam abrindo caminho para suas novas tacadas empresariais.

As mudanças na indústria americana de mídia, a partir da troca de controle de empresas como a Black Entertainment Television (BET), comprada pela Viacom, e a revista Essence, adquirida pela Time Warner, fizeram com que empresários da comunidade negra ficassem com liquidez financeira, mas sem espaço para operar. E é este capital que Dom Filó pretende trazer para o Brasil. "O momento é de prospecção de negócios na área de entretenimento e artes visuais", explica.