Ativismo afro na web

Quem é: Durval Arantes
Por que é importante: por meio da criação de páginas e grupos de debate na internet, ele fomenta o empreendedorismo e fortalece a afrocidadania

Em um país no qual a invisibilidade dos afro-brasileiros nos meios de comunicação é uma regra (apesar de este contingente somar quase 52% da população) seria natural imaginar que o nível de ausência se reproduzisse também na internet. Afinal, como o acesso à rede ainda é caro e boa parte dos afro-basileiros estão na base da pirâmide, sua participação em fóruns e chats estaria naturalmente prejudicada. Correto? Não necessariamente. É que graças ao trabalho de ativistas e empreendedores, estes brasileiros vêm usando favoravelmente as ferramentas de internet. Um dos que estão por trás deste movimento é o fluminense Durval Arantes. Nascido em Volta Redonda, ele percebeu que se apropriar da rede poder-se-ia configurar em um ato revolucionário. "Surfar na internet, com o perdão do trocadilho em relação à crise hídrica do Sudeste, é como tentar beber água em um hidrante usando um copo comum de cozinha", destaca. "Tem muita coisa descartável, mas também outras tantas boas que podem funcionar como uma fonte inesgotável de recursos de fomento à informação de qualidade."

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Entre suas múltiplas incursões pela rede, Arantes destaca o Intelectualidade Afrobrasileira, espaço no qual reúne pensadores, ativistas, empreendedores e muitos amigos que discutem os temas a partir da ótica deste recorte racial. Hoje, são cerca de 15 mil integrantes o que faz do grupo um dos mais expressivos desta vertente, em todo o Brasil. Mas sua menina dos olhos é a Blackonnection espaço no qual tem uma atuação mais voltada à divulgação de atividades dos seus próprios integrantes, por meio de entrevistas produzidas por ele. Arantes também possui um blog no portal Correio Nagô, de Salvador.

Formado em literatura inglesa, ele aproveita a desenvoltura no idioma de Shakespeare (ele foi orientador pedagógico do Ebony English, curso de idiomas com um viés na cultura africana) para alcançar também os brothers americanos, com espaços idênticos. "É o que chamo de movimento pela união afrocontinental", destaca. Aliás, outro movimento nesta direção é sua incursão pela literatura. Seu mais recente trabalho é "O Último Negro", um thriller que fala da diáspora africana nas Américas. A obra começou a ser pensado em 2006 e acaba de se tornar realidade.

Nestes oito anos, Arantes colecionou muitos "nãos". Apesar disso, jamais pensou em desistir do sonho de se tornar escritor. "Nós afrodescendentes precisamos entender o ato da escrita, e por extensão o hábito da leitura, como ferramentas legítimas para o exercício do pensamento livre", diz. "A importância também se refere ao fato de se constituir num fator de preservação de nossa herança histórica e do nosso legado cultural."