Beleza americana

Quem é: Ava Anderson
Por que é importante: aos 16 anos ela criou umas das primeiras grifes de maquiagem do mundo totalmente isenta de produtos tóxicos

Como boa parte das adolescentes, a americana Ava Anderson sempre gostou de maquiagem. De tanto buscar informações a respeito de sombras, bases, batons e esmaltes ela acabou descobrindo que todos eles continham ao menos alguma substância perigosa para o organismo. Para quem nutria valores ligados à sustentabilidade aquilo funcionou como um duro golpe. Pior ainda foi ver que muitas das opções apresentadas como sustentáveis e atóxicas, na verdade, usavam estes atributos apenas como um golpe de marketing. Diante desta constatação, Ava, então com 14 anos, resolveu desenvolver, por conta própria, produtos para sua pele. A fabricação começou em casa, a partir de insumos naturais que ela encomendava pela internet ou comprava nos mercados. O sucesso com as amigas do colégio foi imediato e, incentivada pelos pais, Kim e Frohman Anderson, que fizeram carreira na área de marketing de vendas diretas, a jovem decidiu transformar o hobby em negócio. Foi assim que, dois anos depois, surgiu a grife Ava Anderson Non-Toxic.

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Com a ajuda da família, ela estruturou um negócio baseado em dois pilares: terceirização da produção e venda direta. “Nas redes tradicionais meus produtos seriam apenas mais um”, diz. “Mas se as pessoas pudessem conversar com as clientes em potencial, seria mais fácil passar a mensagem.” Funcionou. Sua empresa ganhou três vezes o cobiçado prêmio Empreendedor do Ano, concedido pela Entrepreneur Magazine. Também conseguiu chamar a atenção de clientes famosas como as atrizes Alicia Silverstone e Kelly Preston, além da ex-boxeadora Laila Ali, filha do lendário Muhammad Ali.

O sucesso imediato não alterou a rotina de Ava, que continuou morando com os pais em Barrington, uma pequena cidade de Rhode Island. Pelas manhãs seguia para a escola e, à tarde, após a lição de casa, mergulhava no papel de executiva. Apesar da ajuda da família, Ava conta que cabia a ela a última palavra sobre todas as decisões estratégicas nas reuniões com um time de 25 funcionários. Nos últimos quatro anos, a grife, que começou com uma expectativa de faturamento de US$ 4 milhões e 753 consultoras, deu um salto fantástico. Fechou 2013 com três mil consultores e está presente nos 50 estados dos EUA. Os ganhos são mantidos a sete chaves.

Desde então, a menina tornou-se uma mulher e, hoje, Ava divide-se entre a carreira de universitária (ela está concluindo o curso de administração no Babson College, berço de inúmeros empreendedores), de empresária e palestrante. Também se tornou uma grande ativista de políticas de ampliação da transparência no setor de cosméticos, área não inteiramente coberta pela poderosa FDA, agência do governo americano que regula a venda de alimentos e remédios. “Essa brecha é utilizada pelos grandes e pequenos fabricantes para continuar usando alguns dos mais de 1,3 mil ingredientes que já foram banidos na Europa, por colocar e risco a saúde das pessoas”, disse ela em uma de suas aparições em eventos do TED, uma plataforma de palestras criada nos Estados Unidos, em 1984.