Um caso de amor à terra

Quem é: Laurence Quinhones
Por que é importante: criou a primeira grande rede do Brasil de venda, pela internet, de produtos sustentáveis

Ser pioneiro em determinado segmento pode ter dois efeitos. O lado ruim é o risco de ser rejeitado pelo distinto público, pelo fato de a proposta ser ousada demais. O aspecto positivo é a possibilidade de ser visto como pioneiro e ter espaço para crescer sem ser incomodado pelos concorrentes. Felizmente, no caso do empresário niteroiense Laurence Quinhones, criador da Ama Terra, aconteceu exatamente o que prega a segunda opção. Em 2007, o debate sobre a sustentabilidade já ocupava um grande espaço na sociedade brasileira. Apesar de o discurso ter sido assimilado por muitas pessoas, faltavam empreendimentos que entendessem a necessidade de quem quisesse adotar um estilo de consumo mais ousado. "Minha inspiração partiu da percepção de que é possível obter lucro com menor impacto ao meio ambiente e às pessoas", diz Quinhones.

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Por conta disso, ele enxergou que havia algo mais que modismo por trás dessa tal de sustentabilidade e resolveu investir nesta vertente como uma opção de negócio. Saiu do banco no qual trabalhava e estruturou a Ama Terra, em 2009. Hoje, a empresa possui um catálogo com mais de 300 produtos. O traço comum é que todos eles incorporam elementos sustentáveis. As camisetas, por exemplo, são feitas de fibras de garrafas PET pós-consumo, as ecobags e bolsas usam lona de caminhão reciclada, enquanto as cachaças, cremes, sabonetes e óleos essenciais são produzidos de forma orgânica. Ou seja, sem o uso de agrotóxicos. "Comercializar produtos que agregam valor ao meio ambiente é gratificante", defende.

A Ama Terra é uma empresa em mutação. Em vez de apostar em uma rede de lojas físicas, desde o início decidiu tirar proveito das facilidades da internet. Também criou um sistema de microfranquias composto de quiosque e balcão móvel, nos quais os parceiros não precisam fazer elevados desembolsos, mas contam com o suporte de uma grande marca. As vendas acontecem de forma itinerante, e a maior parte do estoque fica no "notebook" do parceiro que tem um link direto com a central que entrega a peça diretamente ao cliente final. Até o final do ano serão 93 pontos de venda destes tipos. Mas Quinhones também se diz pronto para apostar no modelo convencional. Este projeto começou a ser colocado em prática em outubro, com a abertura de três lojas convencionais; em Brasília, no Rio de Janeiro e em Porto Alegre. Outras três estão previstas para até 2015.

Desde 2010, o empresário comanda a empresa da pacata e aprazível Nova Friburgo, uma charmosa cidade encravada na região serrana do Rio de Janeiro. No ano seguinte, o processo de reestruturação ganhou ainda mais força, com a Ama Terra atingindo uma carteira de cerca de mil clientes, entre consumidores individuais e empresas que procuraram a grife para a produção de itens personalizados para serem ofertados como brindes aos fornecedores, ou para uso próprio. "Nosso principal pilar continua sendo o pagamento de preços justos aos produtores", explica.