Chamada da América

Quem são: Tainá Rodrigues e Marcelo Castro
Por que são importantes: eles percorrem o continente, do Ushuaia ao Alasca, atuando como voluntários em ONGs e em projetos sustentáveis

O mundo da criação publicitária é um universo cheio de possibilidades. Viajar, no sentido amplo da palavra não é apenas permitido, como também obrigatório. Contudo, para o casal Tainá e Marcelo a verdadeira viagem sempre esteve muito longe do local de trabalho. Quando ainda moravam em São Paulo, eles contavam os dias para que chegasse o final de semana, para embarcar rumo ao distante bairro de Ermelino Matarazzo, onde integravam o coletivo cultural de poesia, batizado de Os Mesquiteiros, que realiza oficinas de poesia e saraus na comunidade conhecida como Jardim Veronia. "Estar envolto na realidade da periferia de São Paulo nos deixava muitos completos e satisfeitos", recorda Tainá. "Era extremamente gratificante como as pessoas podiam ser felizes com menos, apesar da luta diária pela sobrevivência."

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Nestas incursões eles também notaram a força do sentimento de vizinhança. Algo bem diferente da prática cotidiana do bairro onde moravam, no qual dificilmente as pessoas conhecem seus vizinhos de prédio ou dizem um simples bom dia. Estas andanças acabaram se tornando a semente de algo maior: o projeto Calle America. Para embarcar nesta jornada os dois venderam os carros que possuíam e juntaram dinheiro durante 18 meses. A escolha do roteiro levou em conta o desejo de fazer uma ponte entre o Brasil e os demais países da América Latina que, para a imensa maioria dos brasileiros não passam de um ponto no mapa. "A Tainá sempre se encantou pela cultura latina e eu aprendi com ela, a valorizar e amar os latinos", diz Marcelo. Ao longo do caminho eles têm realizado trabalhos sociais voluntários, com o objetivo de dividir conhecimento e aprender um pouco mais do modo de vida de cada comunidade.

Pelo trabalho recebem indicação de hospedagem para outras etapas do roteiro. Na Bolívia, por exemplo, ajudaram na ONG Biblioworks que atua na implementação de bibliotecas na zona rural. Tudo é registrado em vídeo, o que ajuda na interação com a comunidade, que vê sua trajetória ser documentada. "Nosso grande sonho é ter uma escola de produção audiovisual destinada a ajudar quem mora nas periferias a contar sua própria história, porém não possui recursos para isso", explica Tainá. A ideia é que esta ferramenta ajude a construir pontes entre a América lusa, hispânica e anglo-saxão.

Antes de retornar ao Brasil e colocar em prática esta ideia, o casal pretende completar o roteiro pelos países do continente. Já está prevista uma parada estratégica para arranjar um emprego remunerado para incrementar o caixa. Isso porque, já ficou claro que as economias são insuficientes para bancar todo o roteiro imaginado por eles. Prestes a completar um ano de aventura, a dupla ainda se surpreende com coisas triviais, como a hospitalidade e o sentimento genuíno de felicidade estampado no rosto de quem eles encontram pelo caminho. "Não teve uma pessoa que não abriu um sorriso quando soube que somos brasileiros", diz ela.

Os trajetos são cumpridos o melhor esquema mochilão. Para atravessar a Patagônia, no extremo sul do continente, eles recorreram a caronas. Nas andanças, eles vêm colecionando histórias que são colocadas em um blog (www.calleamerica.net). Uma das mais marcantes fora as histórias de argentinos e chilenos que tiveram as vidas marcadas pelos regimes ditatoriais. A magia da ilha de Páscoa e da cidade inca de Machu Picchu, também mexeram com o casal de paulistanos