Favela S/A. Quando o bom capitalismo sobe o morro

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Quem é: Celso Athayde

Por que é importanteCriou uma rede de negócios, em parceria com grandes empresas, para atuar exclusivamente nas favelas brasileiras

No dia 27 de fevereiro de 2014, o carioca Celso Athayde, empresário e agitador social, voltou à Favela do Sapo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde viveu parte da mocidade, para a cerimônia de batismo de um beco da comunidade em sua homenagem. O ato, carregado de simbolismo, foi festejado por Athayde como um dos maiores reconhecimentos de sua vitoriosa trajetória empresarial e social. Afinal, foi daquela comunidade que ele saiu em busca de um caminho melhor. Passados mais de 30 anos, Athayde continua nas comunidades. Só que, agora, ajudando a liderar uma das maiores revoluções socioeconômicas que se têm notícia no Brasil.

No que depender de Athayde e de seus parceiros, as favelas brasileiras não apenas serão integradas à cidadania como também se converterão em um polo organizado de geração de cidadania e riqueza. Financeira e cultural. Para isso ele vem desenvolvendo uma série de negócios que têm a favela como ponto de partida e público alvo. O modelo de negócio criado por Athayde leva em conta a inversão da lógica que sempre moveu as relações entre o morro e o asfalto. "Em vez de enxergar os moradores apenas como um foco de problemas sociais ou mão de obra barata, eu vejo pessoas dispostas a trabalhar duro, e ávidas por consumir produtos e serviços de qualidade", destaca. Foi com isso em mente que Athayde criou a Favela Holdings, sob a qual estão sendo estruturados negócios nas mais diversas áreas. Desde a venda de passagens aéreas, publicação de livros e promoção de lutas de MMA, até a implantação de shopping-centers. No Rio de Janeiro e em outras cidades do país.

Como seu principal ativo é a facilidade de interlocução com este público – Athayde é idealizador e fundador da Central Única das Favelas (Cufa) – e a capacidade de tirar projetos do papel, Athayde busca se associar a empresas com prestígio e ávidas por ampliar sua área de atuação. Uma das primeiras a acreditar nesta proposta foi a gigante americana P&G, de higiene e limpeza. A lista inclui ainda a italiana Grupo Doimo, fabricante de móveis, a editora Objetiva, do Rio de Janeiro, a agência de viagens Vai Voando, de São Paulo, a operadora de telefonia TIM e o Grupo Uai, baseado em Belo Horizonte e referência em consumo das classes C, D e E. O objetivo é movimentar cerca de R$ 1,5 bilhão até 2017.

Em todos estes negócios, a filial da Favela Holdings terá como parceiros moradores da região beneficiada. Para Athayde, mais que gerar empregos, está na hora de despertar o espírito empreendedor de quem mora nestas comunidades. "Os programas de geração de renda, em geral, querem tirar as pessoas da miséria, mas mantê-las na pobreza", critica. "Minha ambição é ver nascer nestas comunidades, empresários de primeira linha, com orgulho de poder atuar e crescer junto com seus vizinhos." Para Athayde, que viveu nas ruas dos bairros de Marechal Hermes e Madureira e perdeu o irmão, César, assassinado ainda adolescente, a esperança e o otimismo se tornaram grandes combustíveis de vida. "É preciso enxergar oportunidades onde muitos só veem tristeza e desilusão", filosofa.