"Nóis" na fita, no papel...

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Quem são: Amanda Rahra e Nina Weingrill
Por que são importantes: criaram a ÉNóis, uma empresa social que ajuda a fomentar o protagonismo e jovens da periferia por meio da educomunicação

Capão Redondo é um dos bairros mais emblemáticos da parte pobre da Zona Sul da cidade de São Paulo. Lá, a carência é a norma. Falta transporte de qualidade, opções de lazer e empregos. Mas sobra esperança por dias melhores. E as mudanças, adjetivas e substantivas vêm sendo comandadas por jovens da comunidade, que assumiram seu papel de protagonistas sociais. Esse processo é fruto de um trabalho que recebe a ajuda de muitos paulistanos. Adotados ou de raiz, que usam parte de seu tempo livre para se dedicar ao chamado trabalho social.

Duas dessas pessoas são as jornalistas Amanda Rahra e Nina Weingrill, criadoras da empresa social ÉNois. Tudo começou em 2008 quando elas resolveram ministrar um curso de produção de fanzine para os jovens atendidos pela ONG Casa do Zezinho. "Encantei-me pelo moleques de lá", conta Amanda. "A turma de cinco jovens que iria durar cinco finais de semana, se transformou em um grupo de 30 meninos, com os quais convivemos por cinco meses."

O que seria apenas um fanzine acabou se transformando em um projeto de vida para as duas amigas. "Mais que aprender técnicas básicas de jornalismo para a produção de conteúdo, vimos que os adolescentes estavam ampliando seus horizontes." É que no terreno prático, as dinâmicas influenciaram no gosto pela leitura e nas notas na escola que, em alguns casos, dobraram. Metade deles foram aprovados para a faculdade e receberam bolsa de estudos, por meio do Prouni.

A partir daí a dupla decidiu investir na carreira de oficineiras voluntárias na área de educação, apostando no que elas passaram a classificar de Inteligência Jovem. Das andanças pelas quebradas de São Paulo, as duas amigas, acabaram aprendendo bem mais do que ensinando e vendo que da cabeça dos jovens pode sair muitas boas surpresas, independentemente da classe social. Estes contatos viabilizaram o projeto de produção de conteúdo para empresas de comunicação e sites (como a rádio CBN, o portal Aprendiz e a Ambev). Alguns textos são escritos por jovens moradores da periferia.

A nova tacada da dupla é no campo audiovisual. Graças a uma bem-sucedida captação no esquema de crowdfunding, na Catarse, a Énois levantou R$ 26 mil para a produção de tutoriais para oficinas de vídeo, na internet, ensinando como se produz um videodocumentário. A iniciativa já envolve cerca de 3,2 mil pessoas. "A plataforma de vídeos e outras ferramentas nos darão a oportunidade de falar para todo o País", destaca Nina, que pegou o telefone para completar a entrevista, socorrendo a amiga que precisava dar de mamar à filha que de cinco meses. "A internet garantiu acesso à informação e nossa ambição é ajudar os jovens a pesquisar conteúdos de qualidade."

Outra vertente da ÉNois é o trabalho de consultoria (ou curadoria de contexto, como elas preferem dizer) para grandes marcas e governos, no que se refere a produtos e políticas públicas para os jovens. A dupla deixou para trás a vida de "ONG itinerante" e hoje se apresenta como uma empresa social. Sua nova base é um escritório no centro de São Paulo, que acaba de ser inaugurado.