Energia que vem da base

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Quem é: Conceição Moura
Por que é importante: por meio de ações socioeducacionais sustentáveis ela transformou a economia de Belo Jardim (PE), gerando emprego e renda para os mais pobres

Muitas cidades do interior do Brasil escondem segredos e possuem tesouros que só são conhecidos por aqueles que partilham de seu dia a dia. Uma delas é a pequena Belo Jardim, situada na Zona da Mata de Pernambuco. Desde 1957 a força motriz do município tem sido a Baterias Moura, a maior empresa brasileira deste segmento de autopeças, com a produção de sete milhões de baterias por ano. No entanto, a empresa, fundada pelos engenheiros Edson Mororó Moura (falecido em 2009), e sua mulher, Maria da Conceição, acabou levando para a região algo mais que apenas empregos. Mesmo antes da entrada em vigor da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) a localidade já contava com um eficiente sistema de coleta seletiva. Também se tornou uma das mais ativas no processo de identificação e qualificação do artesanato de raiz e apostou fortemente no empreendedorismo.

Todas estas iniciativas foram boladas e contaram com a supervisão de dona Conceição, como a sócia da empresa ficou conhecida. Por meio da Associação Tereco e Mariola, ela ajudou a transformar catadores de lixo, que viviam a dura e arriscada rotina do lixão da cidade, em recicladores. Hoje, cada um deles recebe um salário mensal em torno de R$ 1,7 mil. Também fundou um vistoso centro de artesanato, que é um ponto turístico e parada obrigatória de quem passa pela BR-232. Lá trabalham 48 artesãos que, até então, vendiam por centavos suas esculturas e utensílios domésticos de barro. Hoje, estas peças custam até R$ 200.

Muitas peças ganharam o mundo e enfeitam as casa de clientes da Alemanha, da França e da Itália. A dificuldade de movimentos, por conta do Mal de Parkinson, não afetaram a desenvoltura desta pernambucana, que acredita no poder transformador do trabalho social. "Uma pessoa só é rica quando faz o bem e sente-se bem com isso", disse em recente entrevista à Rede Globo.

Dona Conceição chegou à cidade no final da década de 1950, em companhia do marido e sócio, Edson Moura. Os dois se conheceram no curso de química da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e se casaram logo após a conclusão da faculdade. Apesar de manter um apartamento no bairro de Boa Viagem, em Recife, a família construiu uma segunda casa em Belo Jardim, para poder gerir de perto a fábrica, que se tornou uma potência em um setor no qual as grandes empresas de autopeças foram compradas por estrangeiras.

Além de ajudar o marido e sócio a erguer um pequeno império industrial, dona Conceição também procurou cuidar de parte dos chamados stakeholders, mesmo antes de os programas de responsabilidade social corporativa se tornarem mandatórios. O trabalho da Associação Tereco e Mariola, que beneficia 20 mil pessoas de forma direta e indireta.