Tecido pela criatividade

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Quem são: Cláudio Emidio Rocha e Marisa Ferragutt
Por que é importante: criaram e dirigem a EcoSimple, mais premiada grife têxtil do Brasil especializada em tecidos nobres, feitos de material 100% reciclados

Nas ruas do famoso bairro do Bom Retiro, na região central da cidade de São Paulo, alguns detalhes chamam a atenção de quem passa. De manhã e à tarde, milhares de pessoas vindas de todas as partes do País entram e saem das inúmeras lojas carregando bolsas e sacolas abarrotadas de roupas e acessórios. O movimento frenético, porém, deixa um saldo indesejável no final do dia. Pelas esquinas, pode-se ver montanhas de retalhos e restos da produção têxtil de lojas e confecções que integram um dos mais famosos polos de moda da América Latina. A cerca de 130 km de distância, na cidade de Americana, os empresários Claudio Emídio Rocha e Marisa Ferragutt viram nesse problema ambiental, que se repete país afora, uma oportunidade de fazer história e ganhar dinheiro.

Foi então que em 2004 eles criaram a EcoSimple, especializada na produção de tecidos nobres a partir de garrafas PET, retalhos, roupas usadas e outros resíduos da produção têxtil. A empresa nasceu com elevada consciência ambiental. Tanto isso é verdade que todos os corantes usados no tingimento são naturais. Nos primeiros anos, a separação do material, por cor e tipo, era feita por cooperativas de mulheres de baixa renda. O processo tornou-se inviável devido ao crescimento exponencial da produção. “Hoje, compramos toda nossa matéria-prima de grandes fornecedores”, explica Claudio. “Mas nosso compromisso ambiental continua inalterado.”

Premiada aqui e no exterior (em 2013 a EcoSimple obteve o prestigioso certificado Ecolabel), a empresa ainda não desfruta de uma situação confortável, apesar do apelo socioambiental. “Mais do que ecológicos, nossos produtos ajudam a reduzir a pegada de carbono do setor”, diz ele. “Infelizmente, muitos brasileiros não nos reconhecem como tal.” A marca passou a ser identificada como grife de prestígio em 2010, quando subiu à passarela do São Paulo Fashion Week, por conta da parceria com o estilista Alexandre Herchcovitch. Apesar do portfólio de clientes na área de vestuário e acessórios (Coca-Cola Shoes, Osklen, Levi’s e Vulcabras), o grande foco da EcoSimple continua sendo o mercado de decoração: forração de mobiliário e até de paredes.

O conhecimento acumulado fez com que o empreendedor fosse escalado, no início deste ano, pelas entidades que representam a cadeia têxtil para compor o grupo encarregado de elaborar um plano para acabar com o passivo ambiental do setor. Apesar do sucesso comercial e de imagem, Claudio argumenta que sua empresa e as demais que investem nesta vertente poderiam alcançar um patamar ainda mais elevado no mercado internacional. Desde, é claro, que houvesse um tratamento tributário, por parte do governo brasileiro, privilegiando quem fabrica tecidos ecológicos. “Cumprimos um serviço ambiental de grande importância e não temos qualquer benefício por isso”, queixa-se. De fato. Cada metro de tecido com a etiqueta EcoSimple elimina 480 gramas de resíduo têxtil e oito garrafas PET do meio ambiente.