Reciclagem de nãos

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Quem é: Renato Soares de Paula
Porque é importante: criou a primeira máquina papa cartão do Brasil, sistema que será a plataforma para colocar de pé uma empresa social

Nos últimos quatro anos, a palavra "não" tem feito parte do dia a dia do paulistano Renato Soares de Paula. Quase que diariamente. Primeiro porque ele ousou “pensar fora da caixa” e apostar em um negócio tão inusitado quanto útil: uma máquina que inutiliza cartões de débito e crédito, com ou sem chips. E pensar que esta iniciativa surgiu por acaso e também a partir de um não. Dono de uma pequena fabricante de cartões de PVC, de Paula foi participar de uma apresentação para vender um serviço para executivos da Metros, a caixa de previdência dos funcionários do Metrô de São Paulo, em 2010. “Eles queriam que eu apresentasse um orçamento para produzir cartão com chip”, recorda. “O custo não era atrativo e teria de investir em tecnologia.”

Mas ele virou o jogo. Falou sobre a importância de se investir em reciclagem e do quão seria interessante fazer a logística reversa dos crachás e cartões de identificação dos funcionários. Para convencer os futuros clientes, agiu rápido. “O primeiro cartão feito de material reciclado ficou pronto no mesmo dia”, lembra. Mas a história só foi evoluir, mesmo, em 2011. Isso porque não existia no mercado um equipamento capaz de fazer a reciclagem do produto de forma segura, picotando o cartão e inutilizando as tarjas magnéticas, onde ficam gravadas as informações dos usuários.

Foi então que de Paula pensou em criar, ele próprio, a engenhoca. A inspiração veio de uma máquina de fazer macarrão. Investiu R$ 1,5 milhão na RC – Reciclagem de Cartões, instalada em Elias Fausto (SP), distante 30 km de Itu, para onde se mudou para ficar mais perto do negócio. A outra empresa, a que garante a renda do casal, ficou em segundo plano, para desgosto da esposa e sócia, Erika. “Ela foi contra esta iniciativa desde o início”.

Hoje, seu equipamento vem ganhando terreno pelo Brasil afora. Já existem 50 máquinas do gênero no metrô, em agências bancárias e autarquias de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Alagoas, Santos (SP) e Brasília. Graças à parceria com a Plastivida e o Instituto do PVC, ele assinou um acordo para instalar os equipamentos em 12 órgãos públicos. De Paula já conseguiu reciclar 1,2 milhão de cartões. Pouco, se levarmos em conta um processo convencional de reciclagem. Contudo, um número expressivo no chamado segmento de upcycling. Além de coletar o produto ele dá um destino final, convertendo-o em novos produtos como capas de caderno, pranchetas e porta copos.

Para o público corporativo, a maior atratividade é a possibilidade de colocar sua marca em um produto com características sustentáveis. Para isso, pagam pelo aluguel do equipamento e pela compra do produto final. “Até então, quando a validade do cartão expirava, muitas pessoas simplesmente jogam o produto no lixo”, diz. Do ponto de vista do negócio, de Paula espera migrar para franquias sociais. Como existem 718 milhões de cartões em circulação no País, sua ideia é integrar cooperativas de comunidades carentes, que replicariam o modelo da RC, especialmente em comunidades carentes. “O conceito por trás da operação é muito bom e, por conta disso,tem tudo para tornar um grande negócio do ponto de vista empresarial”, aposta. “É só uma questão de tempo.”