Rumo a "Ubachuva"

Passava das 7h da manhã quando dei um beijo em minha mulher e em minha filha e desci para pegar o carro.  Da Vila Madalena até Ubatuba, aonde encontraria Marcelo Marinello, fundador da SOS Praias Brasil, não levaria mais que 3h30min. Como havia resolvido os preparativos da viagem com antecedência (combustível, lanche e saque de R$ 50 para pagar os pedágios), minha única preocupação era qual rota pegar: a recém duplicada rodovia dos Tamoios ou a velha rodovia Oswaldo Cruz? Bem, o bom-senso indicava a primeira opção. Contudo, passar por dentro de Caraguatatuba e cruzar umas sete praias de Ubatuba, para chegar ao destino final, poderia comprometer a eficiência da viagem até Perequê-Açú, uma das praias do centro de Ubatuba, já que pretendia regressar para São Paulo antes do anoitecer.

Peguei a Marginal Tietê e fui em frente. Meu carro, um Clio 2001 bastante surrado, aguentou o tranco. A falta de um sistema de som fez com que optasse por fones de ouvidos plugados no rádio do aparelho celular. O barulho do motor desregulado às vezes dificultava ouvir a música ou reportagem na rádio disponível na frequência local.

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Ubatuba foi a primeira escala de uma jornada que incluirá seis ou sete viagens, ainda não defini ao certo, que venho cumprindo para conversar com sete dos 20 mais votados no Prêmio Empreendedor Sustentável, promovido por 1 Papo Reto (https://1paporeto.com.br). Estes encontros servirão para eu atualize, in loco, o trabalho destas pessoas.

O encontro com Marcelo e Heloisa Carvalho de Azevedo, sua mulher, foi bem interessante. Conversamos sob a tenda que a SOS possui na areia da praia. O local é base para o trabalho preservacionista da dupla. Em se tratando do Litoral Norte de SP é claro que o tempo virou. O sol pálido foi totalmente encoberto por nuvens escuras e não tardou para que uma chuva oportunista de outono me confirmasse que bermuda e dockside não tinha sido uma boa escolha. Além disso, também retardou a sessão de fotos.

Conversa vai, conversa vem descubro que Heloisa e eu temos muitas coisas em comum. Ambos estudamos na finada Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro. Sua melhor amiga desta época era Lucia Teresinha Oliveira, que foi minha colega no cursinho pré-vestibular MV-1, na Tijuca. Foi a oportunidade de reatar os laços, ao menos no Facebook, 31 anos depois. Agora, estamos pensando em nos reencontrar quando voltar ao Rio de Janeiro, a trabalho ou mesmo para visitar parentes.  

Mas voltemos a casa Marcelo e Heloisa. Enquanto entrevistava Marcelo, Heloisa ajudava com datas e nomes de personagens que eles foram conhecendo pelo caminho. Recortes de jornal e matérias de revistas que contam a trajetória da ONG foram caprichosamente guardados por ela em álbuns que fazem parte do portfólio da SOS.

O bate papo de duas horas se estende por mais agradáveis quatro horas, sem quaisquer interrupções. Com o estômago roncando, mas com a alma alimentada por histórias incríveis de um empreendedor nato, me despeço do casal.

Ao chegar ao calçadão dou de cara com uma multa de trânsito afixada no para-brisa do Clio. A área era de estacionamento Zona Azul, e eu deveria ter comprado um tíquete em algum lugar…  A placa do veículo denunciava minha condição de turista. Logo, ao ver a tiazinha que vendia os tais tíquetes, fui avisado que comprando um deles, no valor de R$ 10, anularia automaticamente a multa. Agradeci e dei-lhe uma nota de R$ 20 e disse que poderia ficar com o troco. Ela não aceitou e pediu que aguardasse até que conseguisse trocar em um dos quiosques da orla. 

Com o troco em mãos e a barriga roncando, rumei em direção a um posto de combustíveis para completar o tanque. Do carro e o meu.

Esse projeto nasceu da ambição de lançar luzes sobre o trabalho de 50 homens e mulheres que vêm fazendo a diferença em suas áreas de atuação. No Brasil e no mundo. As entrevistas que deram origem aos perfis publicados no site foram realizadas de diversas formas: pessoalmente, por telefone ou por email. Um trabalho de fôlego que foi realizado no período entre maio e setembro de 2014.