Para acabar com a insustentável cadeia da moda

Não enxergamos a cadeia produtiva por trás dos alimentos que ingerimos, dos carros que dirigimos ou do brinquedo que nosso filho manuseia. Com a moda, não é diferente. Sabemos que são mãos humanas que costuram as peças adquiridas em lojas de departamentos, ou templos de grifes famosas. Porém, desconhecemos os dramas dos trabalhadores. Alguns momentos trágicos, como a morte de mais de mil pessoas em Bangladesh, acordam a comunidade internacional para a questão da precariedade dessa indústria.

Em abril do ano passado, mais de 1,1 mil pessoas faleceram com o desabamento do prédio Rana Plaza. O acidente revelou as péssimas condições trabalhistas dos empregados, que recebiam US$ 38, por mês. O país é considerado, depois da China, o maior exportador de moda para o mundo.

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Ou seja, as roupas feitas por bengaleses que não têm acesso aos mínimos direitos sociais são usadas por americanos, italianos, suecos e…brasileiros.

Não precisamos ir a Bangladesh, ou à China, para encontrar maus exemplos na indústria da moda. Aqui, em terras brasileiras, marcas de peso como a Zara e Le Lis Blanc, por exemplo, já enfrentaram acusações de usar mão de obra análoga à escrava.

Em sua defesa em geral elas citam que não tiveram controle sobre o processo, pois seus terceirizados é que subcontratavam costureiros – num processo que pode ser chamado de “quarteirização”.

Para virar a página e deixar para trás esses capítulos negativos, surgiu o Fashion Revolution Day. A data foi criada, a partir da tragédia de Bangladesh, com a meta de mostrar que é possível reverter a insustentabilidade no segmento da moda.

O Fashion Revolution Day é baseado em três premissas: “be curious” (seja curioso – por que precisamos de um Fashion Day? ), “find out” (descubra – quem faz suas roupas?) e “do something” (aja). A mobilização internacional ocorreu no dia 24 de abril, exatamente um ano depois do evento em Bangladesh.

Em São Paulo, nos dias 23 e 24, o movimento será lançado no País durante a SP.Ecoera 4, no Museu A Casa, no bairro de Pinheiros, na zona oeste. A feira tem uma programação toda voltada à moda sustentável, com palestras e, é claro, desfiles com confecções mostrando seu trabalho (ao lado, imagens de peças das grifes participantes Okan e Será o Benedito).

A organizadora do evento, Chiara Gadaletta, conta que a ideia do lançamento é mostrar que é possível fazer moda de outras formas, mais sustentáveis. “Estamos todos juntos pela moda sustentável”, afirmou.

Na programação da Ecoera, há mesas-redondas com temas como: “Moda para todos x Estereótipos antigos”, “Meio ambiente x descarte têxtil, “Feito no Brasil x Made in China”, entre outras.

Chiara contou que a SP.Ecoera também entrou em contato com a ONG Repórter Brasil. A organização de direitos humanos lançou no final do ano passado um aplicativo grátis para smartphones (disponível nos sistemas operacionais Android e iOS) que revela as principais atitudes tomadas por marcas de varejo no País para evitar que as peças vendidas sejam produzidas por mão de obra escrava.

Veja aqui como funciona o aplicativo. E confira a programação da Feira.