A Amazônia na rota das superfoods

A Amazônia na rota das superfoods

Por Rosenildo Ferreira, especial para Coalizão Verde (1 Papo Reto e Neo Mondo) 

Nos últimos 20 anos, Max Petrucci, 55 anos, participou de algumas das mais importantes iniciativas focadas em inovação. A lista inclui a plataforma pioneira na internet para comercialização de veículos (a Webmotors) e o Messenger, dispositivo da Microsoft que tornou a comunicação mais fácil e mais rápida. Nestas duas empresas, ele ocupou posições de destaque na área de marketing e novos negócios, no Brasil e no exterior. Seu currículo também inclui companhias mais tradicionais, como Gillette e Johnson & Johnson. “Apesar de o crachá indicar que eu era um funcionário, sempre mantive uma postura empreendedora por todos os locais onde passei”, conta. 

E foi exatamente essa característica que fez com que Max se convertesse num empreendedor 24hs por dia, após se desligar da Microsoft, em meados de 2005. Desde então, cofundou três empresas focadas em transformação digital. Sua mais nova empreitada é a Mahta, foodtech especializada em compostos alimentares feitos à base de insumos da floresta amazônica: castanha, coco, cupuaçu, cumaru, cacau, entre outros, capazes de substituir uma refeição.

O negócio nasceu de outro traço marcante de sua personalidade: a busca por uma vida saudável e em harmonia com a natureza. Na Mahta, Max conta com a parceria do antigo mentor em nutrição e negócios inovadores em nutrição, Edgard Calfat Neto, 45 anos, graduado em nutrição pela Universidade Stanford. Além de comungar dos mesmos valores, Edgard possui uma exitosa trajetória no segmento de superfood (barrinhas e compostos solúveis com elevado valor proteico) tendo sido cofundador da B-ON e da Puravida.

Para se ter uma ideia do potencial deste segmento, vale lembrar que, em apenas cinco anos, a Puravida saiu do zero para um faturamento de quase R$ 300 milhões, e acabou sendo comprada pela Nestlé, no final de 2021, por um valor não revelado .

E é nesta posição de destaque que a dupla Max-Edgard espera ver posicionada a Mahta, que nasceu a partir de um aporte de R$ 1,5 milhão feito por investidores. Em março de 2023, eles pretendem voltar ao mercado em busca de um montante mais portentoso: R$ 14 milhões.

Mahta petrucci Edgar calfat foto danielpinheiro 1 papo retoMax (esq.) e Edgard, sócios-fundadores da Mahta (Foto: divulgação)

“A primeira rodada de captação tinha por objetivo validar os testes do produto feitos a partir de fórmulas desenvolvidas por cientistas”, conta Max. A tecnologia utilizada para manter as propriedades nutricionais de cada alimento é a liofilização, a mesma usada para produzir alimentos para astronautas e militares que atuam em locais isolados. “A partir de 2023, nossa intenção é ampliar os canais de venda e levar a Mahta para os Estados Unidos e a Europa.” Tratam-se de mercados maduros no segmento de superfood, um nicho que já movimenta cerca de US$ 160 bilhões, em escala global.

Nessa fase inicial, os dois sócios estão concentrando as apostas em um único produto que é comercializado apenas por venda direta, no site da startup. O composto solúvel em água reúne insumos produzidos e/ou coletados por agricultores e cooperativas de ribeirinhos e indígenas da Amazônia.

A expectativa é que o negócio gere cerca de R$ 30 milhões em receita para as comunidades produtoras dos ingredientes, em um período de cinco a 10 anos. “Atuamos com o conceito de produtos que mais do que não agredir o meio ambiente, ajudam a regerar a floresta”, explica. “Afinal, se o caboclo ou o indígena possui fonte de renda com a floresta em pé, para que desmatá-la .”

 

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Author: Coalizão Verde
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