Que falta faz o Betinho...

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Ao assistir o documentário “Betinho – A Esperança Equilibrista”, que estreou esta semana em circuito comercial, é impossível sair do cinema sem duas grandes interrogações: o que diria Betinho da atual crise política e econômica do país e como, depois de tudo o que vivemos e revemos na tela, chegamos a esta triste situação de desencanto e desesperança?

O sociólogo Herbert José de Sousa, que para o Brasil e o mundo virou simplesmente o Betinho, apelido carinhoso para quem abraçou e foi abraçado pelo povo, é sinônimo de luta pelos direitos humanos, liderança, lucidez e uma enorme força mobilizadora e agregadora. Não era populista, algo comum nas lideranças latino-americanas. Nem tão pouco tinha vocação para santo.

Foi alguém que sobreviveu à hemofilia, à tuberculose, à clandestinidade, ao exílio, à morte dos dois irmãos e acabou sendo vencido pelo vírus da Aids.* Não sem antes conseguir que o governo brasileiro fiscalizasse e regulasse os bancos de sangue do país, responsáveis pela transfusão que o havia contaminado com o vírus. Se ainda estivesse vivo, Betinho completaria 80 anos no dia 13 de novembro.

O documentário dirigido e roteirizado por Victor Lopes mistura entrevistas atuais com amigos, familiares e pessoas próximas ao ativista e um vasto material pesquisado por Ana Redig, Isabel Garçoni e Julia Zylbersztajn de matérias feitas com o próprio Betinho em diferentes épocas de sua vida. Exibido no Festival do Rio 2015, “Betinho – A Esperança Equilibrista” recebeu o prêmio de melhor documentário pelo júri popular.

Falam para as lentes do cineasta os filhos de Betinho, a irmã, sua primeira mulher, sua viúva, colegas da juventude, companheiros de lutas e ideais com quem fundou o Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e artistas como Chico Buarque. São depoimentos que ajudam a traçar o perfil de alguém que ficou mundialmente conhecido pela batalha que travou para tirar da situação de miséria milhões de brasileiros.

Ação da Cidadania contra a Fome…

Com o projeto Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, ele aglutinou em torno do mesmo propósito pessoas de todas as classes sociais, empresários dos mais diferentes segmentos e políticos oponentes numa campanha nunca vista no Brasil.

Sua luta pela erradicação da miséria foi bem-sucedida e acabou se transformando em política pública, assim como a batalha pelo fim da comercialização do sangue humano e seu rígido controle nos bancos de sangue em todo país.

Luta que ajudou em muito ao controle da Aids no Brasil e nosso pioneirismo mundial no tratamento da doença. Esperamos que relembrar a história de Betinho chame à razão nossos políticos e os faça voltar a trabalhar em prol do país. Afinal, a democracia não combina nem com miséria, nem com falta de diálogo. O certo é que, depois de ver o documentário, as novas gerações também terão o mesmo sentimento: que falta faz o Betinho…

Autora: Isabel Capaverde. Publicado originalmente em Plurale.

*Morreu em 1997

Ao assistir o documentário “Betinho – A Esperança Equilibrista”, que estreou esta semana em circuito comercial, é impossível sair do cinema sem duas grandes interrogações: o que diria Betinho da atual crise política e econômica do país e como, depois de tudo o que vivemos e revemos na tela, chegamos a esta triste situação de desencanto e desesperança? O sociólogo Herbert José de Sousa, que para o Brasil e o mundo virou simplesmente o Betinho, apelido carinhoso para quem abraçou e foi abraçado pelo povo, é sinônimo de luta pelos direitos humanos, liderança, lucidez e uma enorme força mobilizadora e agregadora. Não era populista, algo comum nas lideranças latino-americanas. Nem tão pouco tinha vocação para santo. Foi alguém que sobreviveu à hemofilia, à tuberculose, à clandestinidade, ao exílio, à morte dos dois irmãos e acabou sendo vencido pelo vírus da Aids.* Não sem antes conseguir que o governo brasileiro fiscalizasse e regulasse os bancos de sangue do país, responsáveis pela transfusão que o havia contaminado com o vírus. Se ainda estivesse vivo, Betinho completaria 80 anos no dia 13 de novembro. O documentário dirigido e roteirizado por Victor Lopes mistura entrevistas atuais com amigos, familiares e pessoas próximas ao ativista e um vasto material pesquisado por Ana Redig, Isabel Garçoni e Julia Zylbersztajn de matérias feitas com o próprio Betinho em diferentes épocas de sua vida. Exibido no Festival do Rio 2015, “Betinho – A Esperança Equilibrista” recebeu o prêmio de melhor documentário pelo júri popular. Falam para as lentes do cineasta os filhos de Betinho, a irmã, sua primeira mulher, sua viúva, colegas da juventude, companheiros de lutas e ideais com quem fundou o Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) e artistas como Chico Buarque. São depoimentos que ajudam a traçar o perfil de alguém que ficou mundialmente conhecido pela batalha que travou para tirar da situação de miséria milhões de brasileiros. Ação da Cidadania contra a Fome... Com o projeto Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, ele aglutinou em torno do mesmo propósito pessoas de todas as classes sociais, empresários dos mais diferentes segmentos e políticos oponentes numa campanha nunca vista no Brasil. Sua luta pela erradicação da miséria foi bem-sucedida e acabou se transformando em política pública, assim como a batalha pelo fim da comercialização do sangue humano e seu rígido controle nos bancos de sangue em todo país. Luta que ajudou em muito ao controle da Aids no Brasil e nosso pioneirismo mundial no tratamento da doença. Esperamos que relembrar a história de Betinho chame à razão nossos políticos e os faça voltar a trabalhar em prol do país. Afinal, a democracia não combina nem com miséria, nem com falta de diálogo. O certo é que, depois de ver o documentário, as novas gerações também terão o mesmo sentimento: que falta faz o Betinho... Autora: Isabel Capaverde. Publicado originalmente em Plurale. *Morreu em 1997