soco, chute e som no talo!

Quem chega ao modernoso prédio de número 1.124 na rua João Cachoeira, no Itaim, bairro de classe média alta da Zona Sudoeste da cidade de São Paulo, demora a perceber estar diante de uma academia. Também pudera. As linhas arquitetônicas e o design do espaço de 500 m² de área, divididos em dois pavimentos, nos faz pensar se tratar de uma balada ou de uma loja sofisticada.

Esta impressão, contudo, se dissipa ao atravessar a pequena área de convivência entre a calçada e a recepção. Ali, um ringue e os diversos quadros espalhados pelas paredes, com frases icônicas de Muhamad Ali e do personagem Rocky Balboa, deixam claro a vocação do local.

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Sim. Pratica-se boxe no Studio SoulBox. Mas de um jeito bastante diferente.

Primeiro porque não existe contato físico entre os alunos. Os jabs, diretos, cruzados, joelhadas e chutes são desferidos contra os bags (sacos de pancada), enquanto rola uma potente batida eletrônica e pulsam fachos de luz das mais variadas cores. O repórter do portal de notícias 1 Papo Reto foi convidado para um dos eventos de abertura e sentiu na pele (e nos músculos!) que a pegada é forte. Tanto na proposta diferenciada como também no objetivo dos sócios do empreendimento.

Trata-se de um grupo singular, que reúne o veterano executivo do segmento de agrobusiness, João Audi, seu filho André, empreendedor do setor de bebidas e alimentos funcionais, e a empresária e superexecutiva Renata Moraes Vichi, vice-presidente do Grupo CRM (leia-se Kopenhagen e Brasil Cacau) e sócia-CEO da JV e Lindt & Sprungli Brazil. No total, eles investiram R$ 3 milhões na empreitada.

Apesar de Renata ser a única dos três com intimidade no mundo esportivo (ela possui um físico invejável, resultado de treinamentos diários, de domingo a domingo), a ideia de montar o Studio partiu de conversas entre o “nada atlético” João e seu filho. “Já pensava em abrir um negócio e acabei estudando este segmento durante um período sabático em Nova York”, conta João. “Lá, eu descobri que as academias estavam apostando em modelos diferenciados que poderiam fazer sentido no Brasil.”

De volta a São Paulo, após seis meses na Big Apple, a dupla foi conversar sobre o projeto com a amiga Renata. Entre a definição do modelo de negócio, o aluguel do prédio, a reforma e a inauguração se passaram pouco mais de sete meses. Além do visual sofisticado do local, o trio aposta na tecnologia.

Durante as aulas, os alunos têm o desempenho medido por um bracelete eletrônico que manda os dados para uma central computadorizada. Dessa forma é possível acompanhar a performance (a potência dos golpes, por exemplo) e o gasto calórico de cada sessão. A leitura é feita a partir dos batimentos cardíacos e também pela troca de informações com o chip instalado em cada um dos bags.

É a tecnologia que também facilita o envolvimento dos alunos com o universo SoulBox. Em vez de assinar um plano semestral ou anual, eles compram pacotes com um número definido de aulas. Quanto mais sessões, menor é o valor unitário.

Levando-se em conta os resultados nesta fase de “soft open”, os paulistanos gostaram da proposta. “Antes mesmo de inaugurar o espaço vendemos quatro mil aulas”, conta Renata. O volume equivale a uma taxa de ocupação diária de 70%, quase o dobro dos 40% esperados pelo trio.

Para que esse arranjo funcione, o trio encomendou o desenho de um app que vai ajudar os alunos a gerenciar a agenda de aulas e o próprio desempenho. Caso surja um imprevisto no dia ou se tiver que se ausentar por um longo período, em função de uma viagem, é possível remarcar a aula por meio do aplicativo.

“Em uma cidade como São Paulo, as pessoas estão sempre em busca de novidades e principalmente de conveniência”, define o animado João que já pensa em estudar outros segmentos para dar prosseguimento à sua iniciante carreira de empreendedor.

Legenda da foto que abre este texto: (a partir da esq.) André, Renata e João.