Potybá quer apresentar as frutas brasileiras aos brasileiros

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 Nina James, a criadora da Potybá Alimentos, no tempo em que a marca ainda era artesanal

Nina Katia da Silva James passou boa parte dos últimos anos dentro do laboratório da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EQ/UFRJ).

Foi ali que ela desenvolveu pesquisas importantes envolvendo insumos naturais, como a semente de romã, responsáveis pela obtenção do título de doutora em engenharia de alimentos. O trabalho no laboratório, no entanto, acabou rendendo bem mais que conhecimento e novas técnicas para aproveitamento de ativos da natureza. Na verdade, Nina Katia entrou cientista e saiu empreendedora.

À frente da Potybá Alimentos Funcionais, ela pretende colocar em destaque frutas dos biomas brasileiros que dificilmente chegam à mesa dos brasileiros. Inicialmente na versão fruit vinegar ou molho agridoce de frutas, conforme rege a classificação definida pela Anvisa. “Meu objetivo é dar valor econômico às espécies endêmicas da botânica brasileira”, conta. “O Brasil possui mais de 300 frutas nativas e apenas três delas (goiaba, abacaxi e maracujá) estão entre as 20 mais consumidas.”

O trabalho, que começou de forma artesanal, literalmente, está prestes a ganhar escala, graças a uma verba de fomento, no valor de R$ 50 mil, concedida pela Faperj no âmbito do programa Doutor Empreendedor. “A Potybá foi a única foodtech selecionada nesta edição.” O negócio começou na cozinha da casa da cientista, a partir de experimentações iniciadas no laboratório da UFRJ. Foi neste momento que Nina Katia viu a possibilidade de usar a mesma técnica em outros frutos.

molho de frutas 1 papo reto kit 3 potes 1     Kit pormocional da Potybá Alimentos FuncionaisO modelo de negócio bolado pela cientista-empreendedora está assentado no desenvolvimento de fornecedores regionais: pequenos sitiantes que seriam treinados para produzir e fornecer os insumos. “Quero ser a Natura do molho de frutas”, diz ela, citando a empresa de cosméticos que se tornou sinônimo de aproveitamento sustentável de ativos da natureza. A fabricação será feita no galpão onde funciona a incubadora de empresas da UFRJ, na Ilha do Fundão. “Com essa estrutura eu serei capaz de produzir 200 litros por mês”, conta.

Apesar de a pandemia estar atrasando o desenvolvimento do projeto, por conta do distanciamento social, Nina Katia acredita que o momento é propício para falar de consumo sustentável. “As pessoas passaram a ficar mais tempo em casa e, com isso, acabaram despertando para a necessidade de uma alimentação mais saudável”.

 

Além da gigante Natura, Nina Katia também se inspira no trabalho feito pelos produtores de açaí do interior do Pará, nos últimos 15 anos. E assim como aconteceu com o fruto amazônico, que foi ganhando espaço gradualmente em nível global, é a partir de nichos de consumo que a dona da Potybá espera emplacar sua linha de molho agridoce de frutas.

Aliás, este caminho ela vem percorrendo desde o início da produção artesanal, quando promoveu degustações em um restaurante da região central do Rio de Janeiro, e em eventos de alimentação saudável. “A receptividade sempre foi muito boa. Tanto que me tornei fornecedora do restaurante”, argumenta.

Com o suporte da Faperj, a parceria com os agricultores e uma estrutura produtiva profissional, Nina Katia espera ver os molhos de cupuaçu, jabuticaba, pitanga, cajá e outras tantas frutas na mesa de um número cada vez maior de brasileiros. E, quem sabe, atrair um investidor-anjo para levar a Potybá Alimentos Funcionais para o mundo.