Orgânicos como marca coletiva

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Para este meu texto eu roubo a frase do diretor da Organis, Cobi Cruz. É ele quem sempre diz “orgânico é uma marca coletiva”. E de fato é. O consumidor de orgânico não compra influenciado pela marca, ele compra influenciado pelo selo “Orgânico Brasil” do Sisorg (Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica), que deve estar estampado, e em evidência, no rótulo dos alimentos. A pesquisa “Consumidor Orgânico”, realizada pela Organis, em 2019, aponta que o primeiro critério considerado pelos consumidores ao adquirir um produto orgânico é sua aparência (58%) e o segundo é o preço (48%). A marca é considerada em apenas 16% das escolhas.

Apesar de termos uma marca, a Laverani Orgânicos, optamos por vender nossos produtos para distribuidores. E a aparência e a qualidade foi o que nos garantiu a entrada no mercado. Recebemos a nossa certificação orgânica quando estávamos começando a colher pimenta e na véspera da safra da manga. Não tínhamos a menor ideia para quem vender. Encontramos nossos primeiros clientes em pesquisas na internet, nos supermercados e com a ajuda de pessoas que já atuavam no setor. 

Mesmo sem qualquer referência prévia, conseguimos obter sucesso nas vendas por meio de fotos dos nossos produtos. Ou seja, pela aparência, confirmando o resultado da pesquisa. E, como em qualquer outro negócio, a qualidade também é o que garante a manutenção das vendas.

O preço, claro é um item importante. Mas eu tenho clientes que continuaram comprando minhas mangas mesmo com oferta de manga a preços mais baixos. É uma cadeia. A qualidade do meu produto garante a minha venda e a venda do meu cliente. E o consumidor valoriza na hora da compra, independente de marca.  A pesquia mostra que a aparência vale mais que o preço. Por isso, como eu disse no artigo anterior, todo o trabalho que desenvolvemos no sítio é para ter uma produção de qualidade.  

Talvez o fato de os produtos orgânicos não serem associados a marcas não tenha continuidade ao longo do tempo. O mercado de orgânicos cresce em ritmo acelerado, está deixando de ser considerado um nicho, e com isso atrai a atenção de empresas e investidores.

A pandemia provocada pelo novo coronavírus está acelerando esse crescimento.  O consumo de orgânicos aumentou nesse período. Alguns produtores mais que dobraram suas vendas. Cresceu entre os consumidores a consciência de que os alimentos orgânicos são mais saudáveis e ajudam aumentar a imunidade.

Como marca coletiva ganhamos todos. Com o crescimento do mercado, ganhamos todos. A produção orgânica beneficia a sociedade como um todo. A agricultura orgânica está além dos produtos sem agrotóxicos. Anda de mãos dadas com a preservação da natureza e da qualidade da água. E vamos em frente. 

Milena Miziara
Author: Milena Miziara
Sobre o/a Autor(a)
Milena Miziara é jornalista. Desde 2019 também atua como sócia-fundadora da marca de frutas Laverani Orgânicos (SP)
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