MOSS, fintech ambiental, aposta na preservação da Amazônia

Luis Adaime, criador da fintech MOSS/ Foto: divulgação
 
A partir de 1997, quando foi aprovado o Protocolo de Kyoto, que estabeleceu o consenso sobre a necessidade de redução das emissões de gases danosos à camada de ozônio, as empresas e o mercado financeiro começaram a ficar mais perto do debate ambiental.
 
Desde então, esse mercado cresceu e se desenvolveu ancorado nos investidores institucionais: fundos de pensão, fundos de investimento e empresas. Pelas mãos deste seleto grupo passaram o equivalente a US$ 38 bilhões, em 2018, apenas na Europa. Mas no que depender do financista Luis Felipe Adaime, 39 anos, este cenário deverá mudar bastante. Seu principal instrumento para a popularização dessa modalidade de investimento é a MOSS, fintech ambiental que funciona como um marketplace de crédito de carbono.
 
Para criar a fintech ele desembolsou R$ 300 mil, gastos na contratação de pessoal e no desenvolvimento da plataforma. E os resultados já começam a aparecer: “Em menos de três meses já nos tornamos um dos maiores compradores globais de créditos de carbono”, celebra. No total, o portfólio da MOSS é composto de 405 mil toneladas de carbono, e boa parte deste montante resulta de um aporte de US$ 4,5 milhões que acaba de ser feito por investidores-anjos do Brasil e dos Estados Unidos.


Férias no Pantanal

Esse estoque é suficiente para certificar projetos capazes de proteger uma área de floresta equivalente a 1 milhão de campos de futebol. O modelo de negócio da MOSS se baseia no ganho a partir da valorização da cotação da tonelada de carbono, fixada, hoje, em R$ 65,00. Para se tornar cliente, é preciso adquirir um mínimo de 10 toneladas, e o lucro dependerá da evolução da cotação do carbono. "Quanto mais pessoas se interessarem em investir maior será a cotação e mais projetos serão beneficiados. É um ganha-ganha", destaca.

Apesar de ter nascido e crescido no Rio de Janeiro, Luis sempre manteve um pé no Pantanal e na Amazônia. É que na infância ele curtia as férias de verão entre as cidade de Cáceres e Cuiabá, no Mato Grosso, onde vive parte de sua família. Ele conta que o primeiro gatilho para sua conversão ambiental se deu em meio à efervescência da Rio 92, Conferência da ONU realizada no Rio de Janeiro, em 1992. “Na época, eu tinha 12 anos e comecei a me interessar por personagens como o oceanógrafo francês Jacques Cousteau e o navegador Amyr Klink”, diz. “Eu escrevia historinhas de HQ nas quais eles eram as principais personagens.”

Apesar disso, sua carreira acabou enveredando para o mercado financeiro, após concluir o curso de engenharia na prestigiosa Universidade Stanford, na Califórnia. Ao longo de 17 anos, o fundador e CEO da MOSS passou pelo Credit Suisse, a BRZ Investimentos e a York Capital. Tornou-se empreendedor com a criação da gestora de fundos Armadillo Capital Management, lançada em 2013 e que chegou a contar com uma carteira de meio bilhão de dólares. A guinada veio com o nascimento da filha, Olívia, em 2019. “Eu percebi que não conseguia cumprir a função de causar impacto ambiental, tampouco deixar um legado nesta área.”

PISO: Para se tornar cliente da MOSS é preciso investir um mínimo de R$ 650 (reprodução de página do site)
Foi aí que ele decidiu usar a expertise para continuar fazendo o que gosta, e sabe!, porém, focado na preservação da Amazônia e com um toque de inovação. Na visão do empreendedor, a mais importante pauta ambiental continua sendo a poluição e seus efeitos sobre as mudanças climáticas. E o principal veículo para dar conta dessas questões seria o mercado de crédito de carbono. “Não é um sistema perfeito, contudo, é o que temos à mão”, destaca.

 

Proteção ou maquiagem verde?

Desde que surgiu, na esteira do Protocolo de Kyoto, o mercado de compensação ambiental passou por altos e baixos. A inexistência de uma regra global e as acusações sobre seus eventuais malefícios, na linha da “maquiagem verde”, têm colaborado para colocar esse mecanismo sob o severo escrutínio dos ambientalistas. No entanto, a necessidade de implementar o Acordo de Paris, celebrado em 2015, deverá colocar os títulos de crédito de carbono no radar de um número cada vez maior de investidores. Especialmente daqueles que desejam unir ganho financeiro com o  propósito da preservação ambiental.

Pelas contas da MOSS, o Brasil só teria a lucrar com essa nova onda. Especialmente agora, que o governo federal pratica uma política errática em relação à preservação da Amazônia, alegando falta de recursos e de pessoal para cuidar da região. O site da fintech cita um estudo da gestora global Schroders, segundo o qual pelo “tamanho da Floresta Amazônica, o país poderia certificar 1,5 bilhão de créditos por ano, ou o equivalente a US$ 60 bilhões de fluxo (de recursos) para projetos ambientais, impactando o PIB em 6% ao ano”.

Rosenildo Ferreira
Author: Rosenildo Ferreira
Sobre o/a Autor(a)
Rosenildo Ferreira é o fundador e publisher do portal de notícias 1 Papo Reto e cofundador da Vale do Dendê.
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