Quando a esperança, aos poucos, afugenta os medos

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No meu primeiro texto aqui para o 1 Papo Reto falei sobre o período de aprendizado que eu estava atravessando depois de ver parte do meu projeto de produzir orgânicos desmoronar. O período de aprendizado vai me acompanhar ao longo da vida, porém eu espero que com menos dor. Quando tudo parecia desmoronar, quando nada que eu planejava dava certo ou não tinha o resultado esperado, muitas vezes eu cheguei a ter dúvidas se eu iria mesmo conseguir fazer o projeto decolar. Eu olhava para mim e via uma produtora que não produz.

 

Foram dias, semanas, meses sem conseguir dormir direito, buscando alternativas e trabalhando muito. Hoje, depois de quase três anos do início do projeto, olho para o sítio e vejo ele tomando a forma que eu sonhava. Estou conseguindo implementar manejos que meses atrás pareciam que não sairiam da intenção para a prática. 

 

Começa a brotar em mim uma esperança que, aos poucos, vai afugentando o sentimento de “produtora que não produz”. Uma esperança que compartilho com pessoas que se dispuseram a arregaçar as mangas e me ajudar. Que colocam amor no que estão fazendo. A agricultura é um trabalho árduo e requer uma dose generosa de amor. Requer alegria ao ver a semente saltar da terra como broto, aquecendo o coração de quem a semeou.

 

Um exemplo de sonho que começa a se materializar é uma prática que estou iniciando no sítio: o uso de pó de rocha aliado a adubação verde para melhoria da qualidade do solo e desenvolvimento das plantas. Projeto que ganhou asas e está alçando distâncias maiores. Vai se transformar em pesquisa científica coordenada por um professor da Unesp de Jaboticabal e por um pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

 

Outro exemplo é uma experiência com plantio de melão e mini melancia. Um salto quase no escuro que faz o coração ora acelerar ora parar, sempre de olho no clima. Ah, o clima. Como dizia minha avó materna, ser agricultor é estar sempre olhando para o céu. Na época, a dependência da chuva era maior. Hoje, os sistemas de irrigação amenizam um pouco o sofrimento com a falta de chuva. Mesmo assim, chuva e temperatura são uma preocupação constante do produtor rural, seja ele grande ou pequeno.A empreendedora Milena (à esq.) e sua funcionária Lúcia

O frio que veio intenso na semana passada me fez gelar e não foi devido às baixas temperaturas, mas sim, por causa delas. Nossos melão e mini melancia recém plantados não gostam de frio. O desenvolvimento das plantas trava, e isso pode significar a perda da produção. Socorremos as plantas com a homeopatia adequada, mas o frio foi intenso e o resultado ainda é uma incógnita.

 

Em dois meses vou poder compartilhar aqui o resultado dessa plantação. Enquanto isso seguimos trabalhando. Rezando para que as baixas temperaturas se dissipem e o sol aqueça nossas mudinhas. Acreditando na máxima que diz “Entre o plantar e o colher, existe o regar e o esperar”.

Milena Miziara
Author: Milena Miziara
Sobre o/a Autor(a)
Milena Miziara é jornalista. Desde 2019 também atua como sócia-fundadora da marca de frutas Laverani Orgânicos (SP)
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