Iniciativa LIRA mostra que é possível gerar renda e preservar a Amazônia

Iniciativa LIRA mostra que é possível gerar renda e preservar a Amazônia

A Amazônia, em boa medida, permanece um território ainda pouco conhecido da maioria dos brasileiros. Nos últimos 100 anos, muitos empreendimentos baseados no extrativismo mineral e vegetal acabaram deixando um saldo de degradação ambiental e pobreza para os povos indígenas e ribeirinhos, que escolheram a floresta como o local para viver e criar suas famílias.

Mas nem tudo é notícia ruim quando se fala da região Norte neste 17 de julho, quando é celebrado o Dia de Proteção das Florestas. Um bom exemplo é o LIRA, acrônimo para Legado Integrado da Região Amazônica. Lançada no começo do ano passado, a iniciativa liderada pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) está prestes a fazer sua segunda chamada para empreendimentos de geração de emprego e renda. Nessa rodada, serão beneficiados 40 negócios.

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Para isso dispõe de R$ 6 milhões, elevando para R$ 18 milhões os desembolsos realizados em dois anos. O montante foi obtido a partir de doações feitas pela Fundação Gordon e Betty Moore, dos Estados Unidos, e o Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES. “Já apoiamos 30 iniciativas de tribos indígenas e associações de produtores que englobam 550 famílias”, conta Fabiana Prado, mestre em ciências biológicas, gerente de projetos do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e gerente de articulação institucional do LIRA. “No total, esse grupo está baseado em 86 áreas protegidas, incluindo tribos indígenas e Unidades de Conservação.”

Segundo a bióloga, o LIRA é fruto de um longo processo de aprendizagem sobre a Amazônia e tem como fio condutor a tese segundo a qual a floresta de pé é um fator de geração de renda e bem-estar social. “A contrapartida para a doação dos recursos é a preservação, por isso medimos regularmente a evolução dos índices de desmatamento das regiões atendidas.”

É neste contexto que ganha importância o diálogo com as comunidades e o poder público baseado na “escuta ativa”. Essa interlocução se dá a partir de oito parceiros com longo histórico na região: ISA, Kanindé, Amorema, SOS Amazônia, FVA, IDESAM, IEB e Kabu. São estas instituições que dialogam, na ponta, com as cooperativas e as associações de famílias e tribos indígenas cujo portfólio de produtos inclui açaí, castanhas, cacau, borracha, farinha e óleos essenciais. “Muitos ativistas e organizações são bem-intencionadas, mas chegam à região com projetos e iniciativas com um viés Sul-Sudeste”, diz. “Primeiro, é preciso entender o ciclo de sazonalidade dos produtos típicos da região e a capacidade de produção, extração e beneficiamento que garantam a sustentabilidade do processo”, completa.

A nova rodada de financiamento vai incluir o setor de turismo e os serviços correlatos, além dos produtores de artesanato. Cada entidade ou arranjo produtivo recebe auxílio em todo ciclo: produção, venda, logística e parcerias em nível nacional. Um dos exemplos mais eloquentes é o acordo entre cooperativas de seringueiros e a VERT Shoes, cujos tênis são fabricados com borracha artesanal e conta com o suporte da SOS Amazônia. “Nosso objetivo é incentivar a continuidade de cada negócio, de forma autônoma, a partir da valorização das redes locais.”