Proteção da Amazônia pode definir o voto em outubro

Proteção da Amazônia pode definir o voto em outubro

Nas últimas quatro décadas, a preservação da floresta amazônica se tornou um tema obrigatório em todos os fóruns de debate envolvendo o aquecimento global. Também pudera. A floresta, que se estende por toda a região Norte do Brasil e por grandes áreas de Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, é vital para o equilíbrio do planeta. Além de contar com milhares de espécies endêmicas de animais e plantas, a Amazônia também abriga uma parte considerável da água doce disponível no planeta. Mais. A quantidade de árvores existentes no bioma também colaboram para reduzir o aquecimento global, ao fazer o sequestro do carbono presente na atmosfera.

E são estes atributos da floresta que a colocaram, também, no centro da corrida eleitoral para a presidência da República, neste ano, de acordo com recente pesquisa realizada pelo PoderData. Nada menos que 76% apontaram a proteção da Amazônia como um item prioritário na agenda dos candidatos. Apenas 18% discordaram e outros 6% não souberam ou não quiseram opinar sobre este tópico.

O levantamento encomendado pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) indica que, assim como acontece em diversos países da Europa e nos Estados Unidos, os brasileiros estão mais atentos a relação entre emergência climática e preservação ambiental.

"A centralidade da pauta da Amazônia se inscreve no plano mais amplo das questões ambientais, cujas tragédias e desequilíbrios têm chegado cada vez mais perto das pessoas, pelos excessos de chuvas ou secas, dependendo da região, pelas enfermidades associadas a desequilíbrios ambientais, e pelos avanços sobre áreas de proteção e de populações tradicionais por parte de empreendimentos madeireiros, agropecuários ou de mineração", diz a cientista política Arleth Borges, professora da Universidade Federal do Maranhão e coordenadora do Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal no Maranhão.

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A pesquisa também colocou em números a percepção do desempenho do governo federal em relação à proteção da floresta. Para 48% dos entrevistados, a atuação do governo é ruim ou péssima. Outros 22% consideram regular e somente 19% classificaram o trabalho como ótimo ou bom. Não chega a ser surpresa em função da postura de agentes governamentais, especialmente no que se refere aos servidores nomeados a partir de 2019, quando a curva de devastação se movimentou no sentido oposto ao da fiscalização. O resultado foi o aumento de 56,6% no desmatamento da região entre agosto de 2018 e julho de 2021, em relação a igual período entre 2015 e 2018, conforme aponta estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia

Outro dado marcante da pesquisa realizada pelo PoderData é em relação à função econômica da floresta em pé. Para 70% dos entrevistados, proteger esse bioma é importante para o desenvolvimento do país, enquanto 18% discordam e outros 12% não souberam responder.

Essa espécie de virada de chave no mindset do brasileiro médio, em relação à preservação da floresta, pode ser explicada por diversos fatores. Um deles é a própria intensificação da agenda ambiental e do clima, a partir de 1992, quando o Brasil abrigou a conferência Rio-92, conhecida como Eco-92. Outro ponto importante na disseminação da questão ambiental tem sido a maciça divulgação de dados sobre o tema nas redes sociais.

Um total de 36% ouviram falar sobre a Amazônia a partir de posts no Facebook e no WhatsApp. Os sites e portais de notícia aparecem na segunda posição (21%), seguidos de TV (15%), rádio (9%), jornais e revistas (2%). "É cada vez maior o número de pessoas que se informam pelas redes sociais e usam essas informações para orientar suas escolhas. A disposição da maioria para votar no candidato que tenha plano específico para a Amazônia confirma a relevância da circulação de informações sobre a região", destaca Arleth Borges.